Lindíssimo! Tanto o original como seu intérprete (Austin Butler). E eu estou me referindo ao conjunto da obra e não somente aos olhos azuis ou a boca desenhada do artista. Elvis foi um príncipe com borogodó, pois ostentava vozeirão, além de sexy appeal, carisma, talento e aquele rebolado de dar inveja a qualquer pé de valsa.
O seu arco narrativo e jornada foi de um verdadeiro herói, pois após ser descoberto na adolescência pelo empresário Tom Parker (Tom Hanks), ele rapidamente ganhou os holofotes, conquistou milhares de fãs, criou um novo estilo musical chamado por rock n´roll e, de quebra, teve que enfrentar a decadência artística antes de falecer aos 42 anos.
O cantor Elvis Presley foi o artista solo que mais vendeu discos, influenciou artistas e gerações e foi uma das primeiras celebridades existente a ter que lidar com a imagem pública, com centenas de paparazzis no seu pé, assim como com a euforia e o descontrole de Oxigenadas e com a caretice de uma sociedade conservadora da época.
A construção do mito Elvis foi feita paulatinamente e conforme o cantor entrava em contato com o jazz, blues, soul e com cantores gospel e country de Memphis, cidade pertencente ao Estado de Tennessee onde ele passou parte de sua infância e juventude.
Na época, o artista admirava, aprendia e tinha como referência grandes nomes da cultura afro, tais como: B.B. King, Little Richards, Sister Rosetta Tharpe, Fats Domino, Rufus Thomas, Jackie Wilson, Al Green, Bo Diddley, Sammy Davis Jr, James Brown, além do ativista político Martin Luther King Jr.
No entanto, o viés criado no filme “Elvis” é outro e aborda a relação de mais de 20 anos com seu empresário Tom Parker que foi quem o lançou oficialmente no mercado fonográfico, era responsável pela organização de sua agenda de shows, mas que também explorou muito a imagem artística de Elvis através da comercialização de souvenirs, de ações de merchandising, da sua participação em películas bobas e até shows em cassinos de Las Vegas.
É! O preço pago por Elvis foi alto para manter os luxos de sua própria família, para cumprir suas responsabilidades contratuais e não decepcionar seus fãs.
Para aguentar o tranco, ele recorreu ao consumo de álcool, de coquetéis de medicamentos e ampolas de morfina para amenizar as dores latentes dos palcos.
O interessante do filme foi saber que Elvis se alistou e serviu ao exército americano entre os anos de 1958 e 1960. Antes disso, ele passou por um treinamento militar na Alemanha, local onde conheceu e se apaixonou por Priscilla Beaulieu (Olivia De Jonge). Os dois se casaram em Las Vegas, em 1967, e tiveram uma única filha juntos chamada Lisa Marie Presley, hoje com 54 anos, e também cantora, compositora e produtora musical.
O principal motivo para vocês conferirem a obra é a atuação inspiradora do ator Austin Butler. Para vocês terem ideia, sua preparação física para o papel durou quase três anos e incluiu desde aulas de karatê como também de sapateado, estilo swing, voz e expressão corporal. Já o ator Tom Hanks cria um personagem caricato, repleto de maneirismos e que desfila através das cenas a bordo de próteses e enchimentos.
Outro ponto positivo do longa-metragem é o seu figurino criado da parceria entre a estilista Catherine Martin com a diretora criativa Miuccia Prada, da Prada. Ele conta com 90 produções compostas por calças flare, boca de sino e plissadas, peças em couro, jaquetas franjadas, camisas com jabôs, golas cubanas e altas, lenços no pescoço, ternos coloridos, macacões brancos, botas e mocassins, além de acessórios grandiosos como cintos, anéis e óculos de sol.
“Elvis” conta com 2h39 minutos de duração, possui um ritmo frenético de acontecimentos, especialmente no início da película, além de uma trilha sonora composta por 36 músicas tanto do artista retratado como também de Doja Cat, do rapper Eminem, CeeLo Green e da banda italiana Maneskin. A curiosidade é que o próprio Austin Butler soltou a voz na obra e aprendeu a falar cada palavra, cada ditongo e a maneira como Elvis usava a sua voz através da observação de entrevistas e apresentações do artista.
No entanto, achei os cortes feitos na edição da obra demasiados, assim como a junção de imagens nas mesmas cenas. Todos esses recursos usados pelo diretor Baz Luhrmann foram para evitar barrigas narrativas, esconder o roteiro fraco e irreal do longa-metragem e aumentar a frequência vibracional da película. Apesar disso, quem está assistindo ao filme sente um cansaço físico e mental, pois a fixação do olhar na telona e o flanar dos olhos por várias imagens simultaneamente obriga o espectador a aumentar a concentração diante da narrativa.
O final de “Elvis” vocês já devem saber, mas o que talvez vocês não saibam é que a obra não esconde a parada cardíaca sofrida pelo artista em seus últimos anos de vida e seu sobrepeso, entretanto as causas da morte de Elvis permanecem um mistério até hoje, pois a autópsia realizada na ocasião foi colocada em segredo por 50 anos por sua família e somente em 2027 é que a imprensa, pesquisadores da área, estudiosos e fãs do cantor e ator terão acesso às informações.
“Elvis” é um dos filmes mais esperados de 2022 e eu o sugiro para vocês por ser uma celebração à música, à arte, por ser uma película empolgante, com atuações enérgicas e por fazer um resumão da história do Rei do Rock e de um dos artistas mais consagrados do século XX que ajudou no desenvolvimento da cultura americana conhecida hoje.
Até a próxima aventura,

Maria Oxigenada
Foto: reprodução