Uma avalanche girlie atingiu a semana de moda europeia e durante os desfiles o pink ganhou o protagonismo nas apresentações. A maior onda cor-de-rosa foi vista durante o desfile da marca Valentino, em Roma. Celebridades e artistas como as atrizes Anne Hathaway, Florence Pugh, Ariana DeBose e Asheley Park foram algumas que vestiram a tonalidade e foram conferir as novidades da grife.
Já o novo filme da “Barbie”, protagonizado pela atriz Margot Robbie e programado para estrear em 2023, também reforça a tendência Barbie Girl e o uso indiscriminado da cor, bem como de silhuetas estruturadas, lenços no pescoço, calças flare, bermudas ciclistas, produções acesas e sandálias plataformas.
No entanto, a artista plástica sul-africana Annelis Hofmeyer está desconstruindo a imagem de perfeição estética feminina ostentada pela boneca americana através do projeto “Trophy Wife Barbie”, ou seja, uma série de fotos e montagens feitas com a boneca vivenciando situações reais e presentes nas vidas de mulheres comuns, tais como:
A exaustão de uma dona-de-casa diante de tarefas domésticas como a lavagem de um cesto de roupa suja ou sofrendo com os efeitos da TPM (tensão pré-menstrual) e caindo de boca em um pote de creme de avelã ou amargando episódios de ressaca à beira da piscina ou solitária jantando na companhia de seu vibrador ou colocando as peitolas caídas para jogo, além do body positive.
Em todas as versões criadas por Annelis Hofmeyer, a boneca ostenta um par de chifres na intenção de representar o rótulo imposto à mulher perfeita, de um troféu de caça e algo a ser possuído.
O interessante é que apesar do trabalho da artista ser atual e compatível com os discursos de autoaceitação ouvidos recentemente e proferidos por influenciadores digitais, jornalistas, personalidades e celebridades, ele ainda encontra resistências e críticas.
Que o diga a atriz Florence Pugh após a sua participação no desfile ocorrido na Praça da Espanha (Roma), pois a artista foi vítima de body shaming e de línguas ferinas masculinas nas redes sociais e depois de evidenciar seus seios naturais a bordo de um vestido transparente esvoaçante.
A artista não deixou barato, contra-atacou e respondeu que não está nem aí para os comentários alheios, que desde sempre encontra o poder nas dobras de seu corpo e que continuará decepcionando quem espera que o seu corpo se transforme em um conceito do que é quente ou sexualmente atraente, assim como aconteceu com a boneca Barbie no passado.
Sinceramente, espero que o recado tenha sido absorvido, que as agressões às mulheres e seus corpos parem, assim como cessem os julgamentos públicos e as intimidações físicas, né Oxigenadas! Tá demais! Eu torço para que uma nuvem de respeito mútuo envolva todas as pessoas que circulam além do cyber espaço, dos territórios fantasiosos das animações ou do mundinho colorido da moda.
Até nosso próximo encontro,

Maria Oxigenada
Foto: reprodução