Queridinho entre os musicais, “Grease” ganha uma nova roupagem e sua terceira montagem no Brasil. A primeira delas aconteceu em 1998, enquanto que a segunda versão foi feita no ano de 2003. Na peça em cartaz na atualidade, quem assume a principal jaqueta de couro é o ator Robson Lima (Danny) e a atriz Luli desfila pelo papel da romântica e ingênua Sandy.
A história é ambientada na década de 50, na Califórnia, e fala sobre o amor entre os dois protagonistas. A dupla se apaixona durante as férias de verão e nos dias curtidos nas areias das praias californianas, mas a pergunta feita ao espectador logo de cara é: será que o sentimento subirá a serra?
Difícil de saber, né!? Especialmente porque a relação da dupla estará sujeita às interferências de outras pessoas, poderá ser afetada pela rotina escolar e pela rebeldia de seus integrantes. No entanto, a proposta da obra é convidar o público a embarcar na aventura e se jogar pelos tempos da brilhantina.
E que tempos são esses, Oxigenadas? Época de falar não só sobre os suspiros amorosos, mas também sobre como a juventude transgredia padrões sociais através do uso de drogas, do feitio de riscos pelos corpos (tattoos), do confronto com as autoridades locais, das escolhas sobre os parceiros sexuais e das formas distintas de expressão como a dança.
Agora, é fato que nesse balaio também há espaço para comentar sobre a força que o grupo exerce durante a juventude, especialmente a liderança de Danny junto a gangue Burger Palace Boys ou Rizzo (Gabi Camisotti) entre as bonitas da Pink Ladies, Clube da Luluzinha que Sandy faz parte.
Durante o transcorrer da narrativa, é possível perceber que a personagem principal feminina tem sensibilidade suficiente para notar que ambos precisam mudar suas atitudes, caso queiram ficar juntos e construir uma relação duradoura.
O interessante da produção atual é que há o esforço para a desconstrução do macho alfa e da figura feminina submissa, passiva e conformista encontrada no passado. A Sandy de hoje surge dona de si, empoderada e ciente dos seus desejos.
O musical “Grease” surpreende de várias formas o espectador. São elas: com a presença de um elenco jovem virado no Jiraya e capaz de cantar, dançar e interpretar simultaneamente sob os holofotes, além de uma mise-en-scène criada a partir do figurino colorido, do uso de peças como saias godês, malhas, jaquetas de couro, calças jeans de cintura alta e barras dobradas, botas, sapatos Mary Jane, meias soquetes, óculos de sol, laços e presilhas nos cabelos, além de barriguinhas de fora e objetos cênicos característicos do período.
Destaque para as transformações vistas no palco, especialmente o número em que o cadilac vermelho ganha funilaria e pintura ao vivo ou a cena que fecha o espetáculo com os atores cantando um pot-pourri de músicas em inglês e que faz parte da faceta original da obra.
Eu indico “Grease” por ser um programa alto astral, por contar com boas performances e um narrador bem-humorado fazendo piadas com o enredo e a plateia, assim como possuir uma orquestra que com certeza fez um pacto com o Cramunhão de tão afinada que está e pela peça ser uma releitura bem-feita de um clássico da Broadway.
Confesso que me surpreendi com o produto final, achei que o teatro fosse vir abaixo, tamanha a empolgação do público presente, e ouso dizer que o espetáculo é satisfação garantida para quem curte musicais!
Maria Oxigenada
Serviço:

Onde: teatro Claro, localizado na rua das Olimpíadas, 360.
Temporada: até 24 de julho de 2022.
Quando: quinta e sexta, às 21h; sábado, às 16h e 21h; domingo, às 19h.
Preço: entre R$ 50,00 e R$ 200,00.
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