O último final de semana foi bem agitado! E olha que eu passei longe de baladas, shows e lançamentos culturais. Na verdade, eu fui para o sítio dos meus avós para curtir o friozinho da serra com o Fê e o Almôndega, mas a chapa esquentou por lá com uma visita no mínimo curiosa.
A estranheza começou logo no sábado pela manhã e após eu pedir para a cozinheira do sítio me preparar ovos mexidos para o café da manhã. Ela me confessou que era impossível, pois as galinhas estavam em greve e não botavam desde o feriado de carnaval.
Eu sei que durante o período de quaresma até as penosas se recolhem, diminuem as suas atividades ou não botam ovos, mas passado o feriado de Páscoa elas costumam voltar à ativa. Os mais céticos acreditam em pura coincidência, enquanto que os religiosos creem em galinhas espiritualizadas. Já euzinha considero a sapiência da natureza e ponto final.
Pois bem! O dia transcorreu tranquilo, eu matei as saudades que estava do Amuleto, meu pônei de estimação, e da rotina simples local, assim como das delícias caipiras feitas junto ao forno à lenha, tais como: broa de milho, brevidade (bolo de origem portuguesa feito com ovos, açúcar, raspas de limão e polvilho doce), além do frango com quiabo, da couve cortada finíssima, do arroz feito com gordura de porco, da polenta frita e até do suco de acerola.
O clima mudou durante a madrugada e após o escândalo feito pelo único galo existente. Seus gritos despertaram toda a casa e ao abrirmos a porta de madeira da sala, nós avistamos o caseiro riscando o chão de terra em direção ao galinheiro.
Poucos minutos depois, ele retornou para a sede arrastando sua alma e com os olhos cheios de lágrimas. O relato ouvido foi de cortar o coração porque o galo foi vítima do ataque de uma jaguatirica que o abocanhou pelo peito, puxando-o para dentro da mata que faz divisa com outra propriedade rural.
Segundo o caseiro, não é de hoje que o animal está circulando pela região e rondando o sítio em busca de alimentos, pois está com filhotes pequenos e procurando por presas fáceis como as galinhas. Agora, vamos combinar que as bonitas não são gênias, né!?
Confesso que fiquei preocupada com o Amuleto, com os gatos da minha avó e com os demais animais do sítio. O que acontecerá com eles se ninguém capturar a gatuna? Ela tem destreza para passar entre os fios da cerca, tem força, tem habilidade para matar, tem os sentidos apurados e é mãe recente. Tá bom para vocês?
Durante todo o domingo, eu mantive o Almôndega ao meu lado e não o deixei correr desembestado, com a língua de fora e dando goladas no ar fresco, não! Outra providência foi avisar a polícia ambiental sobre o episódio e sobre o bichano solto, entretanto os policiais já tinham ciência das investidas da gata do mato, estavam à sua espreita e espalhando armadilhas pela mata para sua captura.
Segundo os policiais, a intenção não é machucá-la ou matá-la, mas sim conter sua boca nervosa e encaminhá-la junto com sua ninhada para institutos ou ONG´s de proteção aos animais silvestres/selvagens.
De imediato, a solução será cercar o galinheiro com arame farpado, comprar outro galo e combinar com as galinhas de que elas não podem dormir em serviço e precisam desde já organizar uma fuga em massa, há, há, há…
Sinceramente, eu voltei para São Paulo preocupada, sentindo a pequenez humana e mais uma vez espantada com a força da natureza, além da conduta dos animais diante problemas de subsistência, pois os instintos continuam falando mais alto.

Até a próxima aventura,
Maria Oxigenada
Foto: reprodução