A temática é atual! A discussão é necessária! E a sua prática é ilegal no Brasil desde 2018. A série espanhola “Intimidade” foi lançada recentemente e trata de um tema interessante e sobre episódios de vingança pornográfica, ou seja, da divulgação e compartilhamento de vídeos íntimos sem a autorização das vítimas.
Várias facetas do mesmo assunto são trabalhadas na obra através de alguns personagens, tais como: a vice-prefeita de Bilbao Malen Zubiri (Itziar Ituño), a operária Ane (Verónica Echegui), a articuladora política Miren (Emma Suárez), a professora Begoña (Patrícia López Amaiz) e a detetive Alicia (Ana Wagener).
A primeira citada é vítima da ação de adversários políticos que jogam na rede um vídeo seu tendo relações com seu amante nas areias de uma praia francesa. O espectador acompanha as reações e as posturas adotadas pela protagonista diante da agressão pública sofrida, como também os ataques de colegas de trabalho, aliados políticos e da sociedade civil; todos dispostos a acabar com as ambições de Malen em disputar as próximas eleições para a prefeitura da cidade.
Já a segunda personagem é apresentada ao espectador aos poucos, através de cenas de flashback, mas quem está assistindo à “Intimidade” sabe logo de cara que Ane não segurou a onda depois de ter sua vida sexual exposta para os seus colegas de trabalho e decidiu dar fim em sua própria vida.
A partir daí outra personagem ganha destaque na série e ela é Begoña, irmã de Ane, que clama por justiça e em descobrir quem são os autores do crime. Para isso, ela conta com a ajuda da policial Alicia, com o apoio da imprensa e de lideranças femininas vinculadas às associações protetivas das mulheres. Paralelamente, Begoña precisa orientar e dar apoio às suas alunas, outras vítimas de vingança pornográfica.
O interessante da obra é que ela mostra o esforço feito por algumas pessoas em virar o jogo, transformando as vítimas em culpadas, assim como os perrengues enfrentados por familiares após a divulgação desses vídeos, além das consequências de episódios de bullying escolar, de chantagens e reações fora de propósito. Assuntos como homofobia, produção independente, relações homoafetivas, protestos urbanos e o comportamento adotado pela geração Z também ganham espaço dentro da série.
A primeira temporada de “Intimidade” conta com oito episódios de 55 minutos de duração cada e um enredo coeso, além de interpretações equilibradas, personagens com arcos narrativos completos, fotografia taciturna e o frescor do assunto principal.
Eu indico “Intimidade” para quem curte acompanhar séries misteriosas, policiais, com elenco feminino dominando os holofotes e a presença de personagens complexas e guardiãs de muitos segredos.
Finalizo meus comentários com uma prestação de serviços e um alerta para vocês, Oxigenadas. A Lei 13.718/18 existe para nos proteger contra episódios semelhantes aos retratados na série e as delegacias das mulheres e as especializadas em repressão aos crimes cibernéticos são alguns dos lugares aos quais vocês podem registrar queixas e denunciar crimes dessa natureza.
O combate deste tipo de crime e outros feitos a partir de um clique deve ser algo compartilhado por todas nós!
Até a próxima aventura,

Maria Oxigenada
Foto: reprodução