As comemorações do centenário da Semana de Arte Moderna de 22 não param de acontecer. Várias exposições foram montadas na cidade de São Paulo com esse intuito e as celebrações estão avançando e alcançando outras artes, além das plásticas.
A São Paulo Companhia de Dança, por exemplo, lançou este ano o espetáculo “Di”, concebido pela coreógrafa Miriam Druwe, onde ela faz uma homenagem ao pintor, desenhista, cartunista, ilustrador, escritor, jornalista e poeta Di Cavalcanti.
A obra dialoga com os traços criados pelo artista e alguns de seus quadros são projetados no fundo da caixa cênica com a intenção de construir a cenografia da peça, além de interagir com os movimentos realizados pelos bailarinos e com as músicas compostas por Heitor Villa-Lobos.
O interessante da apresentação é que o corpo de baile forma uma massa dançante que ora molda figuras geométricas no palco, ora desenvolve gestos e movimentos contemporâneos na intenção de apresentar o que é moderno hoje.
O figurino usado também colabora para isso, pois é feito com peças coloridas, ostentando as mesmas tonalidades trabalhadas por Di Cavalcanti em seus quadros e desenhos, além de tecidos confortáveis, maleáveis e feitos de fibras naturais como o algodão e o cotton.
A aventura que eu participei também contou com a apresentação do espetáculo “Madrugada”, de 2021. Criado pelo coreógrafo Antônio Gomes especialmente para a SPCD e a partir de valsas de esquina de Francisco Mignone, o show visto aborda os encontros e desencontros ocorridos sob a luz do luar.
A vibração de “Madrugada” é distinta da sentida em “Di”, pois a primeira peça apresenta um tom romântico, calmo e inspirado nas sonoridades caipiras, em serenatas e no ritmo de algumas músicas populares brasileiras. Já “Di” é mais enérgica e parecida com o enredo de animações.
A nostalgia da proposta de “Madrugada” é embalada por cinco casais em cena que deslizam pelo palco formando duplas, apresentando passos de modalidades de outrora como a valsa misturados com movimentos encontrados na vida cotidiana.
O fato é que o espectador que assistiu ao programa saiu ganhando na ocasião, pois a junção de duas obras tão diferentes facilitou a imersão nas narrativas e a observação de suas sutilezas, assim como a sintonia entre as duas através do trabalho desenvolvido pelos dançarinos da São Paulo Companhia de Dança.
Para quem perdeu as apresentações feitas no Theatro São Pedro, saiba que a companhia reapresentará “Di” na Sala São Paulo entre os dias 15 e 18 de setembro e na data o espetáculo contará com a participação ao vivo da Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo). Já no início de dezembro, a SPCD entrará no clima natalino e mostrará ao público sua releitura para o clássico “O Quebra Nozes”, no teatro Sérgio Cardoso.
Marque já na sua agenda para não esquecer e não perder a oportunidade de conferir os dois espetáculos de dança!
Beijos,

Maria Oxigenada
Foto: reprodução