Fato. Algumas músicas que fazem parte de trilhas sonoras de filmes bem-sucedidos disputam nariz com nariz as lembranças construídas pelos espectadores sobre essas obras. Quem consegue esquecer de “Let´s it go”, tema da animação “Frozen” ou “My heart will go on”, da película “Titanic”, ou a canção instrumental do filme “Tubarão”, ou ainda, “Survivor – Eye of the tiger”, do longa com o boxeador Rock Balboa? Impossível, né!?
No entanto, as músicas que dão o tom do filme “Arremessando Alto” são: “Runnin´”, de David Dallas, e “Become a mountain”, de Dan Deacon. E apesar de nenhuma delas grudar como gomas de mascar como as citadas acima, elas bem representam os desafios enfrentados pelo personagem Bo Cruz (Juancho Hernangómez) em sua jornada de herói.
Ele é um aspirante a jogador de basquete, pois ainda não passou pelas peneiras existentes no meio e nem foi lançado no mercado como um novo talento da NBA. O personagem é descoberto por Stanley Sugerman (Adam Sandley), olheiro do Philadelphia 76 ers, de maneira despretensiosa e quando acompanhava uma partida de rua em Madri. O caça talentos foi até a capital espanhola exatamente para encontrar a peça do tabuleiro que estava faltando para a nova temporada de jogos.
E mesmo contrariando Vince (Ben Foster), um dos proprietários do Philadelphia 76 ers, Stanley aposta suas fichas em Bo Cruz, levando-o até os Estados Unidos para disputar uma vaga no draft, evento de recrutamento de novos jogadores. O problema é que Stanley percebe que seu diamante precisa ser lapidado antes de entrar em quadra oficialmente porque é desequilibrado emocionalmente, cai facilmente em provocações feitas por adversários, além de sentir a urgência em melhorar o condicionamento físico, os reflexos e a agilidade do garoto.
É nesse ponto que o filme ganha graça, faz uma homenagem as várias películas protagonizadas pelo ator Sylvester Stallone, recriando cenas icônicas e de treinamento do atleta com corridas realizadas ao amanhecer, subidas de escadas, a distribuição de socos no ar e os gritos motivacionais do treinador nas orelhas do personagem principal.
O caminho para a redenção do protagonista é feito com litros de suor derramados, além de outros dramas como as saudades da filha Lucia e de sua mãe que continuam morando na Europa e a necessidade de explicar para Stanley sobre os motivos que o levam a arrastar correntes, mesmo não sendo adepto de treinos de crossfit.
“Arremessando Alto” é um filme dedicado aos amantes da modalidade esportiva, com cenas feitas com câmera na mão e takes rápidos; tudo para remeter a dinâmica encontrada em partidas reais de basquete. A obra também retrata perrengues e os altos e baixos enfrentados por atletas de alta performance, assim como o sabor das conquistas, a importância das amizades, além da relevância de contar com um professor/treinador que saiba extrair o melhor de seus pupilos.
Fato. Adam Sandler surpreende mais uma vez pela sua atuação, pois constrói seu personagem com um tom equilibrado, verossímil, contendo características demasiadamente humanas, tais como melancolia, cansaço físico, postura arcada e olhar cabisbaixo. A interpretação vista está menos carregada, eufórica e extremada como a encontrada em “Joias Brutas”, de 2019.
A estreia do jogador Juancho Hernangómez na telinha foi feliz e o atleta consegue criar uma química cênica com o ator Adam Sandler admirável, tanto que o espectador fica em dúvidas se ele já tinha atuado anteriormente ou não e passa a torcer pelo sucesso da dupla sob os holofotes. Os atores Robert Duvall e Queen Latifah fazem pequenas participações no longa-metragem.
Eu indico “Arremessando Alto” para todo mundo que curte acompanhar aventuras esportivas, que contenham momentos de superação e resiliência e para as Oxigenadas que não hesitam em prosseguir diante dos obstáculos surgidos em seus caminhos.

Beijos,
Maria Oxigenada