Montar exposições com labirintos virou moda! Tanto que eles estão presentes nas últimas vistas, tais como: “A Beleza Sombria dos Monstros: 13 anos da arte de Tim Burton” e “Cem anos modernos”. Na primeira, o trajeto é obrigatório e indiscutível, mas na segunda exposição os visitantes têm a possibilidade de escolher quais caminhos artísticos preferem percorrer durante a visitação.
Para isso, várias portas foram usadas para construir tal labirinto e os elementos cênicos que compõem cada ambiente ou sala de “Cem anos modernos” são descortinados aos poucos, pois atrás de cada uma das portas há revelações sobre as artes, sobre alguns movimentos culturais, sobre personalidades, artistas e produtos que abriram fissuras para a real modernidade.
Nesse balaio cultural e mestiço, há a projeção de partes de filmes como “Macunaíma”, de Joaquim Pedro de Andrade, alguns depoimentos, declamações, pinturas, desenhos, figurinos de balés, poemas, clipes musicais, imagens de bastidores e viagens, além de objetos cênicos como máscaras.
O trabalho de cantores como Elza Soares, Emicida, Mano Brown, Anitta são reverenciados, assim como o esforço empregado pela diretora e atriz Denise Stoklos para o desenvolvimento de projetos cênicos, além da trajetória percorrida pelo escritor Ariano Suassuna, pelo cineasta Glauber Rocha, pelo diretor teatral José Celso Martinez Correa, pelo artista plástico Denílson Baniwa, pelo ator José Wilker, além do grupo Os Mutantes (Rita Lee, Sérgio Dias e Arnaldo Batista), os tropicalistas (Gal Costa, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tom Zé, Nara Leão, Torquato Neto) e os integrantes da MPB (Chico Buarque, Milton Nascimento, Maria Bethânia, Elis Regina, Novos Baianos, etc).
No entanto, a exposição não tem só a intenção de homenagear o centenário da Semana de Arte Moderna de 22, como também mostrar rupturas sofridas pelas artes brasileiras ao longo desse período, bem como alguns aspectos autoritários que pegaram carona no bonde da dita modernidade.
O interessante é que as frestas abertas por portas giratórias, de geladeira, de madeira, eletrônicas, de cadeias, de armários presentes na exposição revelam
parte da História e memória do Brasil, além da criatividade e originalidade que a nossa literatura, o nosso cinema, o nosso teatro, a nossa música, a nossa pintura e as nossas artes plásticas têm de melhor e característico.
“Cem anos modernos” é um programa indicado não só para a galerinha cool ou para quem curte trilhar caminhos complexos e elaborados para desnortear aqueles que tentam encontrar saídas fáceis, mas sim para as pessoas que gostam de refletir, acrescentar conhecimentos sobre determinada temática e ainda, desejam obter os mais variados frutos dessa busca.
Até a próxima aventura,
Maria Oxigenada

Serviço:
Onde: Museu da Imagem e do Som (MIS), localizado na avenida Europa, 158.
Temporada: até 28 de agosto de 2022.
Quando: de terça a domingo, das 11h às 19h.
Preço: R$ 15,00 (meia-entrada), R$ 30,00 (inteira). Grátis às terças.