No último final de semana, a minha mãe dispensou a companhia de seu eterno “namorado” e me convidou para acompanhá-la ao cinema para assistirmos juntas “Top Gun: Maverick”, continuação do filme “Top Gun: Ases Indomáveis”, de 1986.
Já nas primeiras cenas da película e logo após a aparição do ator Tom Cruise (Peter Mitchell/Maverick) na telona trajando sua jaqueta de couro, óculos de sol, camiseta branca e pilotando uma moto em alta velocidade até o hangar pertencente à marinha, eu percebi a paixonite de minha mãe pelo astro, pois seus olhos borbulharam diante de um de seus crushes da juventude.
Confesso que até eu balancei com o sorriso de gomas brancas de mascar do ator porque ele esbanja charme e carisma diante da plateia! Na película, o personagem continua na pele do capitão da marinha americana, como piloto de caça, resistindo em subir de patentes e trilhando caminho diferente do que fez Tom Kazanski/Iceman (Val Kilmer), seu amigo de longa data.
Desta vez, a missão designada à Maverick é treinar um grupo de pilotos para encarar uma missão impossível. Outra? Há, há, há, há é claro que eu não ia perder a chance de fazer um trocadilho com a franquia de grande sucesso protagonizada por Tom Cruise, né!?
Mas o fato é que o personagem retorna à Califórnia sob as ordens do Almirante interpretado pelo ator Ed Harris e tem um reencontro com o passado e com pessoas que marcaram sua vida como Penny Benjamin (Jennifer Carnelly), seu casinho ioiô de outrora que chegou a ser citada no primeiro longa-metragem, mas perdeu espaço e o posto de mocinha na ocasião para a instrutora de voos Charlie (Kelly McGillis), ou com Bradley Bradshaw/Rooster (Miles Teller), filho de seu melhor amigo Goose (Anthony Edwards), morto em um acidente aéreo.
Para a surpresa de Maverick, Rooster será um de seus alunos e a convivência entre eles não começa nada amigável! No entanto, ambos sabem da importância que um tem na vida do outro e que precisarão desfazer qualquer rusga existente para que os dois possam trabalhar conjuntamente.
“Top Gun: Maverick” é uma película que fala sobre sacrifícios, honra, coragem, sobre confrontar medos e espantar fantasmas do passado, mas também sobre o valor de amizades duradouras, sobre lealdade, sobre a relevância do desenvolvimento de um trabalho em equipe em projetos bem-sucedidos e sobre a importância da presença um líder com L maiúsculo.
É claro que a obra não é feita somente de rachas aéreos, rasantes e a competição entre os jovens pilotos, ela também conta com passagens bem-humoradas e com uma pitada romântica, mas o grande encontro visto sob os holofotes acontece entre os atores Tom Cruise e Val Kilmer.
O fofurômetro explode na cena em que os dois protagonizam, pois a rivalidade existente no primeiro filme não se repete agora e é perceptível a emoção que cada um dos atores trouxe para a cena, pois é sabido que o ator Val Kilmer perdeu a habilidade de falar devido a um câncer de garganta e para a película sua voz foi recriada digitalmente. Para tanto, Val Kilmer disponibilizou horas de arquivo com sua voz real para que fosse possível a criação, através da inteligência artificial, de sua dicção e tonalidade vocal.
“Top Gun: Maverick” é uma aventura indicada para ser vista nas telonas, pois conta com muitas cenas de ação, batalhas aéreas e entre caças, entretanto os adversários desta vez não possuem rostos e nacionalidades identificadas, assim como não há o reencontro com vilões do passado.
Uma carga sensual, eu diria até over envolve a obra como a cena em que os pilotos jogam uma partida de futebol americano nas areias da praia e seus tanquinhos, bíceps, tríceps e músculos entram no foco do diretor Joseph Kosinski.
Outro ponto desfavorável é que a película conta com pouca participação feminina, destacando somente o trabalho e a presença da atriz Jennifer Connelly (Penny) e as pontas feitas pelas atrizes Monica Barbaro (Phoenix) e Lyliana Wray (Amelia). As demais mulheres vistas fazem apenas figuração nas cenas criadas dentro do bar, confraternizando com colegas militares.
A experiência, o domínio cênico, a disponibilidade física do ator Tom Cruise também precisam ser ressaltados, pois o artista prova que ter experiência dentro de sets de filmagens e na realização de cenas e películas de ação são qualidades e expertise essenciais para entregar produtos com potenciais para se transformarem em grandes sucessos de bilheterias; tudo amarrado em roteiros bem escritos e narrativas envolventes e com viradas interessantes.
Eu saí bem satisfeita do cinema, mas a minha mãe deixou a sala de exibição em êxtase, comentando cada passagem vista, comparando as belezas das duas mocinhas e sem preocupação alguma de disfarçar o amor platônico sentido pelo galã de olhos azuis, de sorrisão aberto, mas que também é um dos maiores produtores e salários de Hollywood.
Até a próxima aventura,

Maria Oxigenada
Foto: reprodução