A filmografia do cineasta, desenhista e ilustrador Tim Burton é extensa e ele foi responsável pela direção de grandes sucessos no cinema, tais como: “Edward Mãos de Tesoura”, “Os Fantasmas se Divertem”, “Alice no País das Maravilhas”, “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, “Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet”, “A Noiva Cadáver”, “O Estranho Mundo de Jack”, “O Lar das Crianças Peculiares”, “Frankenweenie”, “Dumbo”, “Batman: O Retorno”, entre outros.
A exposição “A Beleza Sombria dos Monstros: 13 anos da arte de Tim Burton”, em cartaz na atualidade, é uma experiência sensorial proporcionada aos visitantes, pois é possível observar parte do acervo pessoal do artista e o seu processo de brainstorming, ou seja, a explosão de ideias que envolveu cada um dos projetos, além dos primeiros rabiscos e os insights para a criação de personagens e enredos.
Dividida em 14 salas distintas, inspiradas em 14 capítulos do livro “A arte de Tim Burton”, a exposição ocupa dois andares da Oca e conta com projeções em tecido, com teatro de sombras, espelho mágico, anamorfose (reconhecimento de figuras e desenhos através do uso de lentes especiais), além de um labirinto, realidade virtual, cinema 3D e um espaço para os visitantes desenharem suas próprias fantasias.
O interessante é que a cenografia da exposição foi montada para quem ali está tenha a sensação de flanar através da mente e ideias do artista, desde sua adolescência até sua fase adulta. Por lá, é possível descobrir que os dois feriados mais apreciados pelo diretor na infância e juventude eram o Dia das Bruxas (por motivos óbvios) e o Natal (pela melancolia da data).
Em outra sala também é observada a leitura e compreensão de Tim Burton em relação ao amor e outros sentimentos humanos. No entanto, olhares mais atentos sobre as obras percebem a presença de referências literárias, tais como William Shakespeare (Romeo e Julieta e Hamlet), Charles Dickens (Um conto de Natal), Edgar Allan Poe (O corvo de Poe), Mary Shelley (Frankenstein), Lewis Carroll (Alice no País das Maravilhas), Washigton Irving (A lenda do cavaleiro sem cabeça), etc…
O desencaixe social de Tim Burton é algo a ser considerado para a compreensão de sua trajetória profissional e pessoal e como outros artistas ele também encontrou quem se identificasse com suas histórias e pensamentos.
O diretor, ilustrador e pintor Tim Burton continua trabalhando e seguindo a trilha sombria e da estética macabra que o consagrou até aqui, por isso eu indico a aventura para todos que apreciam a criatividade encontrada em cada uma de suas películas, personagens e narrativas.
A única ressalva é que a exposição não é um programa ideal para ser feito na companhia de crianças pequenas, pois os elementos, objetos e desenhos encontrados no local podem transformar-se em gatilhos para pesadelos e episódios de medo dos pequenos.
Beijos,
Maria Oxigenada
Obs: no dia da visita feita, duas das salas montadas estavam em manutenção.

Serviço:
Onde: Oca, localizada dentro do Parque Ibirapuera.
Temporada: até 14 de agosto de 2022.
Quando: de terça a domingo, das 9h às 21h.
Preço: entre R$ 20 (meia-entrada) e R$ 100,00 (VIP).
Foto: reprodução