Oxigenadas, eu assumo a minha desatenção e peço desculpas, pois deixei de comentar com vocês a respeito do filme norueguês “A pior pessoa do mundo”, película que foi indicada ao Oscar de 2022 nas categorias: melhor roteiro original e melhor filme estrangeiro.
A obra é ideal para quem deseja acompanhar a jornada de amadurecimento de Julie (Renate Reinse). As vésperas de seu aniversário de 30 anos, a personagem faz uma retrospectiva de seus passos até ali, evidenciando suas dúvidas, incertezas e inseguranças a respeito de seu futuro amoroso e profissional.
Diferente das mulheres de sua família de gerações passadas, Julie ainda não tem nada claro a respeito dos caminhos que deseja trilhar, permitindo-se experimentar novas aventuras, novos amores e novas áreas de atuação.
O filme tem duração de 128 minutos e está dividido em prefácio, doze capítulos e prólogo; tempo suficiente para que o espectador acompanhe quatro anos na vida da protagonista, ou seja, observe as comemorações de sua entrada na faculdade de medicina, bem como o início do seu relacionamento com o cartunista Aksel (Anders Danielsen Lie).
Outro ponto interessante desenvolvido na obra é que ela também mostra as crises de identidade da personagem, as consequências das decisões tomadas e as decepções provocadas em seus familiares pela quebra de expectativas e projeções.
A verdade é que Julie é o retrato da geração millenials, influenciada pela tecnologia, sedenta por inovação, informação, trocas e por travar verdadeiras lutas pela igualdade salarial, de gênero ou na defesa de questões ambientais, tanto que a personagem desiste de cursar medicina, alegando não se identificar com a área, pede transferência para o curso de psicologia e, por fim, resolve trabalhar em uma livraria enquanto desvenda a arte da fotografia e os meandros da escrita criativa.
Dirigido por Joachim Trier, “A pior pessoa do mundo” é uma película que oscila entre cenas dramáticas e cômicas, mas também apresenta uma carga fantasiosa
como a cena em que a protagonista congela o tempo e sai em busca de seu crush Eivind (Herbert Nordrum).
É! Julie está dividida entre o amor já conhecido e maduro oferecido por Aksel e a liquidez do amor sugerido pelo barista Eivind. A decisão é difícil, mas ela precisa escolher com qual deles prefere seguir adiante porque a propagação desta afetará o destino de outras pessoas.
O amor transforma, machuca e pode transmutar com o passar do tempo, mas também é fonte de aprendizado e profunda evolução pessoal. Né não, Oxigenadas?
A última edição do festival de Cannes reconheceu o trabalho da atriz Renate Reinse, pois a artista recebeu a estatueta de melhor atriz do ano por “A pior pessoa do mundo” e ela constrói a complexa personagem com várias nuances, entregando uma interpretação espontânea e magnética diante das câmeras.
Já o interessante do trabalho do ator Anders Danielsen Lie é que ele desenvolve um coadjuvante na casa dos 40 anos, desencaixado, com dificuldades em aceitar as transformações tecnológicas de hoje, assim como em compreender os interesses e as atitudes das gerações mais novas.
Eu indico o filme “A pior pessoa do mundo” para as pessoas que curtem romances, películas intimistas ou histórias que acompanham o processo de amadurecimento e evolutivo de personagens fictícios.
Eu amei!
Maria Oxigenada

Foto: reprodução