Em momentos cruciais da vida, nós fazemos retrospectivas particulares em nossas mentes na intenção de observarmos nossas evoluções e nossos principais feitos como seres humanos. A pandemia foi gatilho para que todas nós repassássemos algumas cenas de nossas histórias privadas e tirássemos algumas conclusões a respeito de esferas distintas.
A escritora peruana Isabel Allende também fez isso, mas o interessante é que ela extrapolou para o papel e em palavras suas reflexões sobre as figuras femininas relevantes de sua trajetória pessoal e lançou o livro “Mulheres de minha alma”.
A obra é uma homenagem não só a sua mãe Panchita, como também a sua filha já falecida Paula, além de sua agente literária Carmen Balcells e outras escritoras feministas como Virginia Woolf e Margaret Eleonor Atwood que abriram caminhos para a construção de uma sororidade feminina vista hoje.
Motivada pelo movimento “Mee too” e pelos protestos ocorridos no Chile em 2020 contra a violência masculina e a favor da igualdade de oportunidades, do direito ao aborto e do aumento de qualidade de vida das mulheres, a autora também fez questão de lembrar nos capítulos de sua obra alguns episódios de feminicídio e de violência sexual sofridos pelas mulheres ao longo de séculos, assim como a capacidade de resiliência feminina e superação de traumas.
Em “As mulheres de minha alma”, Isabel Allende admite aos seus leitores que foi uma rebelde, que contrariou as expectativas de sua família, especialmente de sua mãe, e que continua sinalizando às suas netas e à nova geração que a luta contra o patriarcado ainda requer grandes esforços por parte de todas nós.
As palavras da escritora funcionam como incentivo ao reclame dos direitos civis femininos, além de servirem como conselheiras sobre como gozar a vida com prazer, intensidade e sentimento.
Como todos os livros de Isabel Allende, “Mulheres de minha alma” é outro de fácil digestão e progressão na leitura, pois a autora escreve de maneira simplista, direta e compreensível até por quem não tem o hábito constante de leitura.
Eu indico a obra às Oxigenadas que desejam saber um pouco mais a respeito da vida pessoal da autora, dos desafios enfrentados por ela até conseguir se estabilizar como escritora renomada e mulher bem resolvida que é.
Várias são as facetas de Isabel Allende e cada vez mais eu fico admirada com a coragem, a obstinação, o profissionalismo e a criatividade dessa mulher de 79 anos que já lançou 28 livros, além de contos, crônicas, artigos e peças teatrais.
O relevante de seu trabalho é que ela é uma autora que sempre se debruça sobre passagens históricas, especialmente sobre a ditadura militar chilena, e é uma das principais representante e divulgadora da cultura mestiça da América Latina!
Até a próxima aventura,
Maria Oxigenada
Obs. Seu último título é “Violeta”, lançado em janeiro de 2022, e a obra é um romance contendo uma história épica passada entre a gripe espanhola (1920) e a pandemia de Covid-19 (2020). Eu indico!

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