As brasas já estão acesas e ganhando corpo no cenário político brasileiro, pois 2022 é ano de eleições! Agora, o interessante é que as primeiras faíscas, ou melhor, as primeiras provocações entre os principais candidatos à Presidência da República já começaram e elas tendem a aumentar até outubro, mês da realização do primeiro turno da disputa nas urnas.
A verdade é que o ambiente político é um prato cheio para roteiristas, escritores e produtores cinematográficos se inspirarem e ter como referência, pois é dinâmico, conta com reviravoltas e surpresas, além de ser um local de concentração de personagens peculiares.
Já a novidade do momento é que o livro “Anatomia de um escândalo”, de Sarah Vaughan, foi adaptado para as telinhas por David E. Kelley e Melissa James Gibson, metamorfoseando-se em uma série do streaming com seis episódios de 50 minutos de duração e que tem como pano de fundo o parlamento inglês.
No entanto, o ministro James Whitehouse (Rupert Friend) não começa a obra sendo vangloriado pelos seus projetos, emendas parlamentares ou pela defesa dos direitos dos cidadãos e, sim, por estar envolvido em um escândalo sexual, pois a assessora Olívia Lytton (Naomi Scott) acusa a autoridade de tê-la estuprado dentro do elevador local.
O episódio chega à corte e Sr. Whitehouse vai parar no banco dos réus para ser julgado pelo crime. O espectador acompanha não só os depoimentos dos envolvidos, como também o trabalho da promotora kate Woodcroft (Michelle Dockery) e da advogada de defesa Angela Regan (Josette Simon), além das reações de Sophie Whitehouse (Sienna Miller), esposa do político.
O interessante da obra é que ela apresenta os dois lados da história e levanta alguns questionamentos sobre os pormenores envolvendo o significado da palavra consentimento, a respeito de episódios de violência sexual entre parceiros íntimos, sobre o poder do não, bem como sobre os privilégios gozados por autoridades, celebridades e pessoas com alto poder aquisitivo.
Eu adianto para vocês que Olívia e James tiveram um caso extraconjugal durante os cinco meses que antecederam o episódio ocorrido no transporte,
dificultando com isso a elaboração do veredicto final pelo júri popular e a unanimidade ou não da condenação do Sr. Whitehouse.
Outro ponto relevante de “Anatomia de um escândalo” é que quem está assistindo a série tem a oportunidade de conhecer o passado dos personagens através de cenas de flashback, especialmente a vida universitária de James como um dos integrantes dos Libertinos, fraternidade de Oxford.
A verdade é que a vida pregressa do bonito é uma aventura com outras passagens de agressões sexuais, além do consumo de drogas e até do seu envolvimento em um homicídio ocorrido no campus universitário. É! As aparências enganam, Oxigenadas!
O problema de “Anatomia de um escândalo” é que a obra apresenta poucas viradas narrativas e sua história parece ser spin-off de outras séries. Apesar disso, ela conta com boas interpretações, especialmente das atrizes Michelle Dockery e Sienna Miller, e uma boa fotografia com imagens rodadas pelas ruas de Londres, tendo como pano de fundo alguns pontos turísticos da capital inglesa, e cenas feitas no litoral e cidades do interior.
Para quem curte ver o circo pegar fogo nos bastidores do poder, então sugiro conferir as seis temporadas de “House of Cards”, além de se divertir com as séries “Scandall”, “Marseille”, “Designated Survivor”, “Veep” ou a produção nacional “O Mecanismo”, baseada nas investigações da operação “Lava Jato”.

Até a próxima aventura,
Maria Oxigenada
Foto: reprodução