O filme “CODA – No ritmo do coração” voltou às salas de cinema após abocanhar três estatuetas douradas durante a cerimônia do Oscar deste ano (melhor filme, melhor ator coadjuvante e melhor roteiro adaptado) e é a oportunidade para quem ainda não o assistiu, conferi-lo.
Refilmagem do longa francês “Le Famille Bélier”, a história gira em torno da adolescente Ruby Rossi (Emília Jones), pois ela é a caçula de uma família de surdos e a única do quarteto que ouve os sons, servindo de intérprete para eles, inclusive durante as negociações diárias de venda de peixes.
Sim! Ela vem de uma família de pescadores que mantém uma rotina intensa e que precisa acordar diariamente de madrugada para ir para o alto mar, retornando para a costa logo após o amanhecer.
Já nas primeiras horas da manhã, a personagem principal assume a sua segunda jornada do dia e corre para o colégio para acompanhar as aulas do último ano do ensino médio, além de suspirar por Miles (Ferdia Walsh Peelo), seu atual crush.
E é por causa do bonito que a protagonista da narrativa se inscreve no coral local como disciplina optativa oferecida pela instituição de ensino. No entanto, o grande encontro acontece entre ela e o professor de música Bernardo Villalobos (Eugenio Derbez), pois o docente percebe sua potência vocal, seu belo timbre e talento nato.
Ironia do destino? Parece que sim! E, aos poucos, Bernardo a ensina como respirar corretamente, como estender as palavras, como reconhecer as notas musicais e como cantar. Então, ele convence a personagem principal de disputar uma bolsa de estudo em uma faculdade de música em Boston, mas o que fazer com sua família?
O interessante de “CODA – No ritmo do coração” é acompanhar o processo de amadurecimento de Ruby porque conflitos internos a tomam por um tempo, pois ela sabe da dependência de sua família, mas ao mesmo tempo não quer abandonar seu sonho de cantar e construir uma carreira para si.
O fator determinante para desmanchar qualquer dúvida é a apresentação de final de ano feita por Ruby na escola. Mesmo sem escutar e entender uma única canção sua família comparece, a aplaude, se emociona e percebe que ela tem futuro artístico.
Destaque para a cena em que Frank (Troy Kotsur), pai de Ruby, tem uma conversa sensível e imbuída de carinho com a filha, sentados sob o brilho das estrelas e onde ele pede para que a garota cante novamente a canção apresentada para que ele possa senti-la de sua maneira e através do toque das mãos em sua garganta.
Aliás, os momentos cômicos e de escapismos da película são protagonizados por Frank e foi mais do que justo o reconhecimento do trabalho do ator Troy Kotsur pela academia. O artista entrou para a história, sendo o primeiro ator surdo a conquistar um Oscar e fazer seu discurso de agradecimento na língua de sinais. Comovente!
Já a atriz Emília Jones assume a jornada de heroína da história com a bravura necessária, pois flana entre dois universos completamente distintos e precisa transparecer naturalidade em ambos, entretanto o ator Eugenio Derbez me chamou a atenção com a criação de um personagem perspicaz, inteligente, motivador e humano, características essenciais aos mestres de verdade.
Confesso que eu me derreti assistindo ao filme e saí do cinema com o coração aquecido e com a sensação de que nenhuma outra obra poderia ostentar o título de melhor filme do ano, pois “CODA – No ritmo do coração” além de ser uma obra leve, divertida, alto astral, também é uma película que nós estávamos precisando hoje e após uma avalanche de filmes deprimentes e pesados feitos durante a pandemia.
Eu amei!

Maria Oxigenada

Curiosidade: A tradução literal de CODA é children of deaf adults ou filhos de adultos surdos.
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