A paixão pela dança extrapolou as salas espelhadas de academias e institutos e transformou-se em produtos cinematográficos, tanto que nos últimos anos uma avalanche de filmes e séries sobre a temática foram produzidos, tais como: “Move: O mundo da dança”, “O preço da perfeição”, “O Quebra Nozes de Chocolate”, “Dançarina Imperfeita”, “Batalhas”, “Na balada do amor”, “Na batida do coração”, “Break: O poder da dança”, “Queens”, “We speak dance”, “Let´s Dance”, “Ela dança, Eu danço: tudo ou nada”, “Pose”, “Fell the Beat”, “Navillera”, além dos documentários “Nureyev”, “Dancer: Sergei Polunin” e “Pole Dance: Dança do poder”.
Nas últimas semanas, a plataforma Netflix veio com mais uma remessa de novos produtos, lançando a película “Batalhas: Freestyle” e a série colombiana “Ritmo Selvagem”, onde há o contraponto entre o balé clássico e as danças de rua.
No filme norueguês, as diferenças entre as modalidades são apresentadas através da personagem principal Amalie (Lisa Teige). Ela é integrante do grupo “Illicit”, classificado para participar de uma competição de hip-hop em Paris.
O problema é que quando Amalie chega à Cidade Luz, ela abandona os ensaios de sua equipe para ir atrás de sua mãe Vivien (Ellen Dorrit Petersen), professora de uma renomada escola de balé local. Além disso, convencida pela matriarca, a personagem aceita concorrer a uma bolsa de estudos para o estilo contemporâneo.
Com isso, os dilemas e conflitos aumentam dentro e no entorno da protagonista, pois nem seu namorado Mikael (Fabian Svegaard Tapia), nem o restante do grupo compreendem o que está se passando com a dançarina. A única certeza é de que Amalie é apaixonada pela dança e precisa se expressar através dela.
A série “Ritmo Selvagem” também aborda esses dois mundos distintos: o do balé clássico formado pela elite colombiana e o do Reggaton, dançado nas quebradas de Bogotá. No entanto, a busca pelo sucesso, pelo reconhecimento profissional e estrelato acontece independente do palco usado para as apresentações das modalidades.
Nos oito episódios existentes nessa primeira temporada da série, o espectador acompanha a rotina e os privilégios de Antônia (Paulina Davila) dentro da melhor escola de balé da cidade, bem como o cotidiano e os sacrifícios feitos por Karina (Greeicy Rendón) para sustentar sua família e para participar de testes para integrar o corpo de baile atuante junto a artistas renomados ou para realizar apresentações com seu grupo em baladas da periferia colombiana.
Para aumentar a vibração da obra, é claro que os caminhos das duas protagonistas se cruzam. Depois de assistir a um vídeo de Karina postado em uma rede social, Antônia decide ir atrás da dançarina para que ela a ensine a malemolência do reggaeton e com isso tenha chances de recuperar o papel principal no espetáculo de balé em que está participando.
Em um primeiro momento, Karina não vê sentido algum nas trocas e até titubeia em aceitar a proposta, mas cede depois que toma ciência que receberá pelas aulas. Além disso, ela também enxerga a possibilidade de ter uma formação tradicional através de uma bolsa de estudos na companhia de dança de Antônia.
Outras histórias são desenvolvidas paralelamente a trama principal, tais como: o domínio de traficantes nas periferias colombianas, a conquista do sonho americano através da imigração, o transporte ilegal de drogas para outros países, assim como os corres dados pela moçada e os relacionamentos da galera bailante, inclusive o desenvolvido entre Antônia e Checho (David Palacio), pau mandado do traficante mor.
O interessante é a cenografia da série com a construção de cenários completamente distintos, ou seja, a periferia é pulsante, criada a partir de cores fortes, iluminada e os seus personagens vestem street wear. Já os ambientes de classe alta são compostos com tonalidades neutras e frias como o cinza, branco, prata.
Outro ponto positivo da obra são as coreografias presentes contendo peças de balé contemporâneo e performances de street dance; tudo dirigido por Simon Brand, profissional que fez videoclipes com os cantores: Shakira, Enrique Iglesias, Ricky Martin e Juanes.
Tanto “Batalha: Freestyle” como “Ritmo Selvagem” apresentam enredos com histórias que parecem subprodutos de outras obras já feitas, entretanto cumprem bem seus papeis de entreter, de aguçar a vontade de dançar e de acompanhar os próximos passos sobre a temática.

Maria Oxigenada
Foto: reprodução