“O quebra nozes”, “O lago dos cisnes”, “Copélia”, “Giselle”, “A bela adormecida”, “Romeo e Julieta”, “Sonho de uma noite de verão”, “Esmeralda” e “Dom Quixote” são algumas das peças integrantes do balé de repertório. E vocês sabem o que é isso?
Na verdade, são espetáculos que possuem estruturas parecidas com peças teatrais, com cenas, atos e uma narrativa com começo, meio e fim e que são narradas por meio de danças e gestos.
“Dom Quixote”, por exemplo, é um balé inspirado no livro “Dom Quixote de La Mancha”, de Miguel de Cervantes, e que foi coreografado por Marius Petipa e Alexander Gorsky, em 1869.
A obra possui três atos distintos para contar as aventuras vividas por Dom Quixote, seu fiel escudeiro Sancho Pancho e Rocinante, seu cavalo de estimação. O trio sai em busca de novas aventuras e de Dulcinéia, paixão imaginária do protagonista da obra.
Ao chegar em Sevilha (Espanha), eles conhecem Kitri, filha de Lorenzo e moça prometida ao nobre Gamache. O problema é que a donzela morre de amores por Basílio e, para viver esta paixão, o casal decide fugir para um acampamento cigano com a ajuda de Dom Quixote e seus amigos.
Pelo caminho, eles lutam contra moinhos de vento, pensando ser gigantes que estão atrás de kitri e tal atividade provoca um desgaste físico enorme em Dom Quixote que adormece e não acompanha o desenrolar dos próximos capítulos da obra, pois a bonita é resgatada pelo seu pai e obrigada a se casar com Gamache.
Ao saber do enlace forçado, Basílio finge suicídio, assim como fez Romeo, protagonista da peça de William Shakespeare, e então Kitri bate o pé diante de todos com a intenção de unir-se ao cadáver de seu amado. Loucura, loucura, loucura!
E diferente de “Romeo e Julieta”, o final de “Dom Quixote” não é trágico e sim festivo com a celebração do enlace oficial do casal de pombinhos e a partida dos três amigos em busca da mulher amada e de outras aventuras.
A montagem vista foi da Companhia Paulista de Dança e ela contou com 100 minutos de duração. Destaque para o figurino colorido usado pelo corpo de baile, para a vibração cênica do grupo sob os holofotes e para o apuro técnico dos bailarinos, pois alguns passos como o grand pas de deux do casamento no ato III tem alto grau de dificuldade de ser executado.
Apesar disso, eu achei cansativo e desnecessário o espaço dado pela diretora do espetáculo para a realização de algumas apresentações individuais após o término da narrativa. Para que, Oxigenadas?
A minha dica é: não percam oportunidades de assistirem peças de balé de repertório porque elas nos fazem sonhar, imaginar amores impossíveis e nos transportam para outras épocas e realidades, assim como os livros e filmes.
Beijos,

Maria Oxigenada
Foto: reprodução