Taí opções para participar do carnaval fora de época. As fantasias do Homem Morcego e Mulher-Gato estão on e são alternativas para quem deseja desfilar pelas arquibancadas e camarotes do Sambódromo do Anhembi ou na Marquês de Sapucaí com estilo e personalidade.
O modismo é devido ao sucesso do filme “Batman”, em cartaz na atualidade, e que tem o ator Robert Pattinson vestindo a capa negra e a atriz Zoë Kravitz ostentando uma produção em couro finalizada com touca de lã cortada.
O interessante da película é que a cidade de Gotham é construída como uma personagem e não tem medo de expor sua faceta corruptível, nem sua rede de influências e tampouco os dramas, as dificuldades e as soluções encontradas pelos mais humildes para permanecerem nela.
Os ratos de Gotham concentra-se em uma balada administrada pelo Pinguim (Colin Farrell), frequentada pelo criminoso Carmine Falcone (John Turturro), pelo promotor público Gil Colson (Peter Sarsgaard), por políticos e outras autoridades locais. Por lá também desliza a garçonete Seline Kyle/Mulher-Gato (Zoë Kravitz).
No entanto, quem está tremendo as estruturas de Gotham City é um serial killer que está cometendo uma série de assassinatos envolvendo autoridades e candidatos às próximas eleições municipais com o objetivo de atingir o Batman.
O mistério envolvendo sua identidade é grande, mas como na fábula infantil “João e Maria”, o vilão também espalha migalhas ou melhor deixa charadas para serem desvendadas pelo morcegão.
O ator Paul Dano constrói uma versão mais sombria do Charada e com outras motivações além das apresentadas em filmes anteriores. Aliás, as sombras são trabalhadas além da Bat-caverna, dos túneis de metrô e das madrugadas em Gotham. Elas fazem parte da composição da versão vulnerável, introspectiva, reclusa e obsessiva criada para o herói.
O diretor Matt Reeves optou por não recontar a história da origem do Batman, bem como os seus traumas infantis, preferindo destacar o seu cotidiano e as responsabilidades de Bruce Wayne como figura pública local.
“Batman” é um filme investigativo com cenas de ação, por isso quem deseja assistir algumas perseguições feitas pelo Batmóvel não irá se decepcionar e nem aqueles que apreciam desvendar mistérios no estilo Agatha Christie com a ajuda do tenente James Gordon (Jeffrey Wright).
Ah! O jogo sensual entre o Homem Morcego e a Mulher-Gato também está presente na obra e outro ponto positivo do filme de 2022 é que a felina tem seus próprios dramas sendo revelados e a personagem tem potencial para voltar em outras aventuras.
A fotografia de Greig Fraser, assim como a trilha sonora de Michael Giacchino e algumas interpretações como a de Zoë Kravitz, Colin Farrel e Paul Dano contribuem para o aumento das expectativas do espectador quanto ao próximo capítulo dessa fantasia. O ator Robert Pattinson apesar de ter poucas falas, cumpre bem o seu papel, mas para mim ninguém supera a interpretação madura de Christian Bale em “Cavaleiro das Trevas”.
De negativo, “Batman” conta com quase três horas de duração e algumas cenas poderiam ser eliminadas da versão final para facilitar a digestão da obra. Confesso que achei desnecessários os closes dados pelas câmeras nas costas e músculos do protagonista, bem como a maquiagem escorrida usada pelo ator na versão Bruce Wayne.
“Batman” é uma das aventuras imperdíveis deste primeiro semestre e indicada para todos que curtem HQ e narrativas com tons fúnebres ou contendo várias camadas.
Beijos,

Maria Oxigenada
Foto: reprodução