Saiu recentemente uma segunda fornada das séries: “Mãe só tem duas”, “Guia astrológico de corações partidos”, “Toy Boy”, além de episódios extras de “Amor Ocasional”. Apesar disso, todas elas entregaram sabores parecidos aos apreciados nas suas primeiras temporadas e pouco empolgaram seus espectadores.
Já a segunda temporada de “Lupin” e de “Emily em Paris” agradaram os fãs, assim como a série inglesa “Bridgerton”, lançada no final de março. Baseada no livro “O visconde que eu amava”, de Julia Quinn, o destaque agora é o primogênito da família Bridgerton, ou seja, Lord Anthony Bridgerton (Jonathan Bailey).
O personagem é retratado anteriormente como um bon-vivant e homem de negócios, entretanto outras camadas são acrescentadas ao Visconde para que saibamos os medos, inseguranças, pensamentos e traumas que rondam sua vida desde a morte precoce de seu pai.
Nessa temporada de bailes, é ele quem está em busca de uma esposa e há várias pretendentes ao posto de Viscondessa. No entanto, Anthony se interessa pela protegida da Rainha Charlotte (Golda Rosheuvel), ou seja, por Edwina Sharma (Charithra Chandran).
A bela não tem um pai que é uma fera, mas tem uma irmã mais velha chamada Kate Sharma (Simone Ashley) que não hesita em mostrar os caninos para os outros e para as convenções sociais; tanto que adora sair para cavalgar sozinha ao amanhecer, para caçar com outros cavalheiros, além de jogar croquet.
O interessante é que as duas personagens chegam da Índia com a intenção de aproveitar o verão na capital inglesa, desfrutando da companhia de Lady Danbury (Adjoa Andoh) e dos privilégios proporcionados pela realeza.
Outro ponto positivo é que as irmãs formam o triângulo amoroso dessa segunda temporada junto com Lord Anthony Bridgerton e, com isso, há vários questionamentos sobre ética, lealdade, irmandade e sororidade levantados na obra.
Paralelamente aos eventos da corte, o espectador acompanha as atividades de Benedict (Luke Thompson) dentro da escola de belas artes londrina, além da recente amizade entre Eloise (Claudia Jesse) e o linotipista Theo Sharpe (Calam Lynch), as tramoias de Lady Portia Featherington (Polly Walker) com seu primo Jack (Rupert Young) e, é claro, as fofocas de Lady Whistledown/Penélope Featherington (Nicola Coughlan).
Penélope é outra personagem da narrativa que ganha destaque porque é atingida por um tsunami de perrengues, tais como: a falência de sua família, o desprezo de Colin (Luke Newton), o desentendimento com Eloise e o surgimento de uma falsa Lady Whistledown querendo tomar o seu lugar de fofoqueira mor.
Destaque para as locações escolhidas pelo diretor Chris Van Dusen que contemplam as ruas de Bath, Hampton Court Palace, Wilton House, Old Royal Naval College, a catedral de Saint James, bem como as coreografias executadas pelo elenco durante os encontros sociais, a cenografia da série construída com flores e pratos de comida falsos, com 250 carruagens, com animais belíssimos, com uma mascote de pelos e muita ostentação!
Como sempre, o figurino é um capítulo à parte e nesta temporada ele está mais colorido do que nunca! Tudo para representar as origens indianas das personagens principais e para diferenciá-las da cartela de cores suaves usada pela família Bridgerton. Kate, por exemplo, desfila com cores fortes, com estampas e tecidos sofisticados como veludos cristal, além de cartolas, luvas de cetim, braceletes indianos e meias finas.
Outra personagem que sobe o tom e esquenta seus looks é Lady Danbury, pois abandona o lilás e o roxo de outrora em prol dos vestidos vermelhos. Já Edwina e Lady Mary preferem os cinquenta tons de rosa, além de luvas feitas de tules e joias delicadas para imprimir a imagem de garota romântica ou mulher delicada diante da alta sociedade.
Desta vez, os drapeados traseiros dominaram as produções femininas, entretanto os corseletes e espartilhos continuaram realçando as curvas das moçoilas e as mangas japonesas e infladas dando charme extra. Outra diferença é que as tiaras de pérolas e feitas com pedrarias foram vistas ocupando os lugares de chapéus com penas e coroas de flores.
A verdade é que a naturalidade dominou a maquiagem porque os rostos cobertos de pó branco, marcados com blushes rosados, além das bocas desenhadas com batons vermelhos ficaram no passado, mas os cabelos continuaram altos, desfiados, esculpidos e adornados com fitas e laços.
Nessa segunda temporada não há tantas cenas quentes e de sexo como visto na primeira temporada. O clima sedutor é construído através de olhares trocados, de respirações ofegantes, de toques inesperados de mãos e de conversas inteligentes.
A boa notícia é que a terceira e quarta temporadas da série já foram confirmadas pelos produtores e alguns personagens apresentados agora voltarão nas próximas para aprofundar suas histórias. Além disso, a Netflix comunicou o feitio de uma nova série derivada de “Brigerton” e que será focada na juventude da Rainha Charlotte.
Eu indico o programa para quem gosta de narrativas épicas, para as Oxigenadas que apreciam adaptações literárias com elenco multicultural e para aquelas que continuam na esperança de encontrar seus próprios viscondes.

Maria Oxigenada
Foto: reprodução