A cerimônia do Oscar deste ano foi uma caixinha de surpresas! O evento ficou mais dinâmico, enxuto, teve três mestres de cerimônia (Amy Schumer, Wanda Skies e Regina Hall), contou com números musicais belíssimos como a apresentação de Sebastián Yatra cantando “Dos Oruguitos”, tema da animação “Encanto”, além dos shows feitos pelas cantoras Beyoncé (Be Alive) e Billie Eilish (No time to die), assim como a “invasão” da rapper Megan Thee Stallion durante a apresentação de Becky G. e Luis Fonsi em “No se habla de Bruno”, outra canção de “Encanto”.
A ocasião também foi perfeita para os convidados desfilarem com produções glamurosas, entretanto o Oscar de 2022 contou com um barraco para chamar de seu, pois o ator Will Smith subiu ao palco e deu um tapão na cara do comediante Chris Rock depois que ele fez uma piada envolvendo a careca de sua esposa Jada Pinkett Smith. A atriz, cantora e dubladora foi diagnosticada com alopecia, doença autoimune que provoca a queda dos cabelos.
Os reflexos da pandemia continuaram reverberando pelas obras cinematográficas, pois uma onda de películas reflexivas, dramáticas e indigestas atingiram o público este ano e concorreram às estatuetas douradas.
“Drive my car” foi uma delas. O longa japonês abocanhou o prêmio de melhor filme internacional, superando o norueguês “A pior pessoa do mundo”, o italiano “A mão de Deus”, o dinamarquês “Fuga” e o butanês “A felicidade das pequenas coisas”.
Para quem desconhece seu enredo, o espectador acompanha o luto do ator e diretor de teatro Yusuke Kafuku (Hidetoshi Nishijima) após a perda precoce de sua esposa. Depois de dois anos, o profissional é convidado para participar de um festival de teatro com a peça “Tio Vânia”, de Anton Tchekhov, e volta à ativa.
A partir de então, a rotina do personagem é composta pela escolha dos atores que irão integrar o elenco oficial, bem como com a leitura e os ensaios da peça, além da resolução e esclarecimento de algumas tensões, dúvidas e dificuldades apresentadas pela equipe de trabalho.
Paralelamente, Yusuke Kafuku é obrigado pela produção do festival a engolir a presença de Misaki Watari (Tôko Miura), motorista contratada para transportá-lo de um lugar para outro na cidade. O problema é que ele é proprietário de um Saab 900 turbo, modelo queridinho de colecionadores, e demonstra ciúmes e apreensão ao passar o volante do seu possante para uma mulher.
Agora, o interessante de “Drive my car” é que ele conta com o tempo dos orientais, ou seja, com três horas de duração para que a história de superação e resiliência do protagonista seja desenvolvida.
Outro ponto positivo é que o espectador também acompanha o surgimento da amizade entre os dois personagens principais, assim como as trocas de confidências entre a dupla a respeito de dúvidas e culpas de relacionamentos passados e familiares.
Já o destaque de “Drive my car” é que a película foi outra que trabalhou a questão da inclusão social, abrindo espaço na sua trama para portadores de deficiências auditivas, assim como fez “Coda – No ritmo do coração” e com isso evidenciou o potencial comunicacional, de trabalho e a sensibilidade desses artistas.
“Drive my car” é um filme bonito, comovente, mas pesado, por isso não é indicado para aquelas Oxigenadas impacientes, ansiosas ou sem resistências físicas e emocionais.
Se você ainda não o conferiu, então a minha dica para encarar a aventura é: respire fundo, se divirta com um sacão de pipoca e se entregue aos capítulos desse conto adaptado às telonas.
Vale a pena!

Maria Oxigenada
Foto: reprodução