O famoso 171 ou crime de estelionato é a coluna dorsal da série “Inventando Anna”, pois a russa Anna Sorokin/Anna Delvey (Julia Garner) enganou a alta sociedade e instituições americanas na intenção de conseguir um empréstimo milionário nos bancos na terra do tio Sam.
O papinho usado por ela foi dos melhores, ou seja, Anna lançou de toda a sua lábia e charme para convencer quem cruzasse o seu caminho de que era herdeira de uma fortuna alemã, uma mulher de negócios, que tinha o objetivo de abrir uma fundação em seu nome, tornando-se curadora de arte e anfitriã de um espaço para lá de VIP na cidade de Nova Iorque.
Agora, o interessante é que por pouco, muito pouco mesmo ela não conseguiu alcançar sua meta de nadar entre as verdinhas e dar aquele olé nos endinheirados.
O roteiro da série da Netflix é baseado em uma história real, além de ser recheado por personagens demasiadamente humanos, mas algumas passagens e cenas foram criadas pela mente da roteirista, cineasta e produtora Shonda Rhimes para melhorar a dramaticidade da narrativa e a atratividade do produto.
A narradora da obra é a jornalista Vivien Kent (Anna Chlumsky) e seu papel foi baseado no trabalho desenvolvido e nas investigações feitas pela jornalista Jessica Pressler, da New York Magazine, que escreveu sobre as aventuras de Anna Delvey, bem como cobriu o seu julgamento.
Na ocasião, órgãos oficiais da imprensa, influenciadores digitais e a sociedade acompanharam os testemunhos e as palavras de algumas das vítimas de Anna como sua amiga Rachel DeLoache (Katie Lowes), o banqueiro Alan Reed (Anthony Edwards), além de gerentes e funcionários de hotéis, restaurantes, baladas que amargaram um prejuízo enorme com os luxos e as loucuras da bonita.
Mas o fato é que muitos queriam orbitar no entorno de Anna Delvey, pois dinheiro atrai dinheiro e alguns negócios são fechados fora do ambiente corporativo e em momentos de descontração. Que o diga Chase (Saamer Usmani), ex-namorado de Anna, que conseguiu financiamento para seu novo app durante um passeio de iate realizado em um final de semana no litoral europeu.
Na corte, a personagem é defendida por Todd Spodek (Arian Moayed), advogado que aceitou o caso devido a sua notoriedade e que construiu o início da defesa de sua cliente falando sobre o sonho americano e a vontade de muitos de vencer na vida. Hoje, ele é conhecido por ter sido o advogado da falsa herdeira.
E como se não bastasse tudo o que Anna Sorokin aprontou, ela ainda deu sua última cartada antes de ser deportada para a Alemanha, pois vendeu os direitos de sua trajetória para a diretora da série por US$ 320 mil e fechou um contrato com a plataforma de streaming para a veiculação desta.
Ao todo, são nove episódios de 60/70 minutos de duração e quem se destaca na série é a atriz Anna Chlumsky com uma atuação convincente, mas a atriz Julia Garner também faz bonito diante das câmeras com uma miscelânia de sotaques e a construção de várias camadas para sua personagem.
Outro ponto alto da série é a sua vibe fashionista e o figurino criado por Lyn Paolo que separou mais de três mil peças para vestir não só a protagonista como as demais personagens. As produções vistas são finalizadas com acessórios como óculos de sol (Céline), óculos de grau, lenços e echarpes, chokers, chapéus, além de bolsas de modelos variados, tais como: Book Tote (Dior), Nano (Céline), Sac de Jour (Saint Laurent), Lady Dior (Dior), Zumi (Gucci), Muria (Louis Vuitton).
A preocupação da protagonista com as roupas desfiladas é tamanha que ela trocou figurinhas com a estilista Anastasia Walker sobre referências de moda e peças que ela gostaria de usar durante seu julgamento no intuito de aparentar vulnerabilidade e inocência perante o júri.
Eu indico “Inventando Anna” para as Oxigenadas que desejam assistir uma obra protagonizada por uma mulher inteligente, articulada, corajosa e que assumiu os riscos de bailar entre a alta sociedade para realizar seu sonho de princesa. Eu também sugiro para aquelas que curtem acompanhar o desenrolar de histórias verídicas com pinceladas surreais e para quem gosta desse mundo construído a partir de aparências.
Beijos,
Maria Oxigenada

Dica de leitura: “Minha amiga Anna”, de Rachel DeLoache Williams.
Dica de filme: “O Golpista do Tinder”.
Foto: reprodução