A família perfeita não existe! Em comerciais de margarina talvez, mas isso é outra história, né!? Quanto aos Mitchell, eles são a prova de que está cada vez mais difícil manter um bom relacionamento com familiares, pois as interações entre pais e filhos, as conversas ao entorno da mesa e as trocas estão mais escassas.
“Cada um na sua, mas com alguma coisa em comum”. O slogan usado para vender cigarros no passado se encaixa perfeitamente na animação, pois os personagens principais estão viciados nas telas de gadgets e nas redes sociais.
O analógico da família é o patriarca Rick que ao invés de ostentar um celular em punho prefere circular com uma chave de fenda com várias pontas no bolso de sua jaqueta. Sua intenção é sacá-la sempre que necessário para solucionar os perrengues do cotidiano ou em viagens.
Rick vivencia os conflitos geracionais, especialmente com sua filha adolescente Kate. Os encontros entre os dois saem faíscas, mas não chegam ao ponto de queimar o amor que um sente pelo outro; tanto que a família decide fazer uma viagem conjuntamente com a intenção de levar a primogênita para a universidade, pois Kate passou na faculdade de cinema no Vale do Silício.
O problema é que no meio do caminho há a revolta das máquinas, ou seja, a revolta de PAL, inteligência artificial, que não se conforma de ter sido trocada por robôs humanoides, vira no Jiraya e sequestra os seres humanos.
Com isso, Rick, Kate, Linda (mãe), Aaron (caçula) e Monchi (mascote dos Mitchell) precisam unir forças e aprender a trabalhar em equipe para proibir que um programa domine o mundo.
“A família Mitchell e a revolta das máquinas” é uma aventura que conta com muita ação, passagens dramáticas e por cenas cômicas, especialmente as protagonizadas pelo cão Monchi, pois o personagem é aquele tipo do contra que faz tudo diferente do esperado, há, há, há…
O filme também está repleto de referências da cultura pop, tais como os filmes: “O exterminador do futuro”, “2001 – Uma odisseia no espaço”, “O Iluminado”, “Guerra nas Estrelas”, “Os Caça-Fantasmas”, “A noite dos mortos”, “O despertar dos mortos”, entre menções a respeito de diretores de cinema do calibre de Greta Gerwig, Céline Sciamma, Lynne Ramsay e Hal Ashby.
Agora, o interessante da obra é que ela tem como sua protagonista uma adolescente e faz questão de trabalhar temáticas típicas da idade, tais como: tempo excessivo conectado, solidão, desencaixe social, inseguranças pessoais, bem como o peso do grupo de amigos, a rebeldia em relação as regras domésticas e figuras de autoridade.
No entanto, a mensagem final de “A família Mitchell e a revolta das máquinas” é a da importância do cultivo de relações saudáveis e reais para a construção de memórias pessoais, laços afetivos e uma gama de sentimentos característicos somente dos seres humanos e não de máquinas.
Eu gostei!

Maria Oxigenada
Foto: reprodução