Nós somos a natureza! Alguém ainda tem dúvidas disso? A diferença é que os povos indígenas residentes na Amazônia têm total comunhão com ela e nós não mais. Na exposição “Amazônia”, 12 comunidades indígenas foram retratadas nas últimas décadas pelo fotógrafo Sebastião Salgado.
Ao todo, são 205 imagens em preto e branco, entretanto outras facetas da floresta e da região em que ela se encontra também foram registradas pelo artista, tais como: o rio Amazonas e seus afluentes, o monte Roraima, algumas aves, animais, trombas de água e outras belezas naturais.
O interessante do trabalho desenvolvido por Sebastião Salgado é que suas fotos contêm texturas e elas são construídas com a presença de nuvens, pedras, ondulações rochosas, com a fluidez das águas doces, evaporações, com os troncos e cascas das árvores, além de detalhes ressaltados nos rostos impressos.
“Amazônia” tem a curadoria de Lélia Wanick Salgado e a exposição encontrou parada em Paris, Roma e Londres antes de chegar ao Brasil e por aqui rodar entre as capitais de São Paulo, Rio de Janeiro, Belém, Manaus e Belo Horizonte entre os anos de 2022 e 2023.
A aventura vale a pena especialmente por ser uma experiência sensorial, pois ela foi montada de tal maneira que os visitantes pudessem mergulhar na atmosfera da Amazônia, tanto que há a presença de um filete de rio falso dentro do pavilhão do Sesc, assim como paredes pintadas de vermelho numa referência às sementes de urucum usadas pelos indígenas para pintar seus corpos, uma iluminação intimista, a criação de núcleos de povos diferentes e a existência de cabines de veiculação de vídeos acompanhados de músicas instrumentais.
O fato de saber a respeito dos rios voadores existentes no local e que desempenham papel importantíssimo, pois irrigam grande parte do Brasil e da América do Sul também é algo que acrescenta à visita feita.
Agora, o triste é tomar ciência sobre as transformações sofridas pela área nos últimos anos, pois somente em 2021 o desmatamento aumentou 21% se comparado com o ano anterior e as matas nativas de áreas protegidas foram destruídas devido ao garimpo ilegal, a extração de madeira e ao roubo de terras.
A exposição é um grito de socorro feito pelo fotógrafo na esperança de que ela toque o maior número de pessoas, assim como comova ONGs ambientais do Brasil e mundo com o intuito de reunir esforços para a conservação da natureza, de seus principais guardiões, mas também da tecnologia da cultura dos povos indígenas.
Se você curte a temática, sugiro que também assista o documentário “Amazônia Sociedade Anônima”, de Estevão Ciavatta, ou leia o livro “O arquivo e o repertório: performance e memória cultural nas Américas”, de Diana Taylor.
Até a próxima aventura,
Maria Oxigenada

Serviço:
Onde: Sesc Pompéia, localizado na rua Clélia, 93.
Temporada: até 31 de julho de 2022.
Quando: de terça a sábado, das 10h às 21h. Domingos e feriados, das 10h às 18h.

Preço: Grátis.