A categoria de melhor filme estrangeiro é uma das mais interessantes do Oscar, pois possibilita que nós conheçamos trabalhos e talentos de outras partes do mundo. Nos últimos anos o público foi surpreendido por “Parasita”, “Roma”, “Druk – Mais uma rodada”, “Amour”, “O Filho de Saul”, “A Separação”, “O Segredo de Seus Olhos”, entre outros filmes de altíssima qualidade.
“A Grande Beleza”, de Paolo Sorrentino, bem representou a Itália na cerimônia do Oscar de 2014 e em 2022 o diretor retorna ao evento com o filme “A Mão de Deus” sobre o processo de amadurecimento e o despertar sexual do jovem Fabietto Schisa (Filippo Scotti), protagonista da obra.
Para isso, a película é ambientada em Nápoles nos anos 80 e evidencia a paixão do personagem não só pelo futebol, mas também por Diogo Maradona que na época jogava em um time local, além de seu relacionamento com sua família, bem como sua solidão pessoal e seu amor pelo cinema.
A sétima arte é homenageada com citações de obras feitas por Frederico Fellini e Franco Zeffirelli e sobre a dinâmica seguida pela indústria do entretenimento através de Marchino Schisa (Marlon Joubert), irmão mais velho de Fabietto e aspirante a ator.
“A Mão de Deus” não é um filme cômico, mas ele evidencia o sarcasmo napolitano, especialmente através das cenas feitas no entorno da mesa da família Schisa, nos sustos aplicados por Maria (Teresa Saponangelo), mãe do protagonista em seu marido e na amizade atípica entre o personagem principal e um jovem traficante.
Uma tragédia muda completamente o rumo da narrativa e dos personagens, além do ritmo e da classificação da película, pois transforma a obra em um produto melancólico! Apesar disso, é a partir desse acontecimento que pitadas poéticas podem ser percebidas e o filme toca o coração de quem o está assistindo.
Agora, o interessante é saber que o episódio desafortunado retratado no longa-metragem fez parte da vida pessoal do diretor Paolo Sorrentino e que ele resolveu transformá-lo em arte.
A fotografia de “A Mão de Deus” foi feita por Daria D´Antonio, privilegiando a luz natural, as tomadas externas e cenas rodadas junto à natureza ou entre as ruelas da cidade. Isso sem dizer no figurino e na caracterização dos personagens que estão primorosos!
Quanto às interpretações, o destaque recai sobre o ator Filippo Scotti, pois ele assume com convicção a jornada de seu herói, entregando cenas imbuídas de emoção, mas a atriz Luisa Ranieri faz bonito no papel da sensual Patrizia. O que dizer da cena em que ela toma sol na proa do barco?
No entanto, a duração de “A Mão de Deus” não empolga o espectador porque o filme conta com 2h10 minutos de duração e seu ritmo cansa aqueles que não estão dispostos a embarcar numa aventura de velocidade branda, contemplativa e reflexiva.
Apesar disso, o desfecho da história é alto-astral e traça paralelo com a euforia sentida na Copa de Mundo de 86, realizada no México, onde o jogador Diego Maradona fez milagres em campo e mudou o curso de sua história profissional, assim como o protagonista da obra.
“A Mão de Deus” é indicado às Oxigenadas que estão em busca de aventuras sensíveis, jornadas de autodescobertas, histórias que dialogam com o passado ou que discutam questões filosóficas, tais como: vida e morte, a existência de Deus, belezas universais, destino humano, livre arbítrio, entre outras.
A boa notícia divulgada recentemente é que o público poderá votar no seu filme favorito ou na sua cena favorita através do Twitter, utilizando as hashtags #OscarCheerMoment e #OscarFanFavorite. As cenas mais votadas estarão reunidas na cerimônia do Oscar, programada para acontecer no dia 27 de março, e o filme favorito da galera será aplaudido na ocasião.
Outra sugestão para vocês é assistir ao documentário “A Mão de Deus – Pelos olhos de Sorrentino” contendo as reflexões do diretor sobre sua juventude passada pelas locações do filme citado acima. O curta tem oito minutos de duração e completa a aventura inicial.

Maria Oxigenada
Foto: reprodução