Para quem ainda não foi conferir a exposição “Constelação Clarice”, saiba que faltam duas semanas para ela levantar voo e partir para o Rio de Janeiro. No entanto, é tempo mais que suficiente para as Oxigenadas que queiram mergulhar no universo da escritora e cronista Clarice Lispector.
Ao todo, são 300 itens expostos no local e dentre eles estão: manuscritos, fotografias, cartas, discos de vinil, diplomas, matérias jornalistas, uma entrevista concedida à TV Cultura e pinturas da própria autora. Dezoito de seus quadros foram cedidos pelo seu filho Paulo Gurgel Valente para ocupar espaço na exposição, assim como objetos decorativos e suas máquinas de escrever.
Dividida em 11 núcleos e linhas temáticas distintas, a exposição tem como objetivo também criar conexões com outras artistas visuais atuantes entre as décadas de 40 e 70, mesmo período de atividade da escritora, evidenciando com isso tendências, comportamentos, atitudes e pensamentos femininos.
Lygia Clark, Hilda Hilst, Djanira, Maria Martins, Letícia Parente, Faya Ostrower, Eleonore Koch, Amelia Toledo, Anna Bella Geiger, Anna Maria Maiolino, Claudia Andujar, Celeida Tostes, Judith Lauand, Iole de Freitas, Ione Saldanha, Maria Bonomi, Maria Helena Vieira da Silva, Maria Polo, Mira Schendel, Regina Silveira, Regina Valter, Vera Chaves Barcellos, Wanda Pimentel, Wega Nery, Wilma Martins e Yolanda Mohalyi foram as escolhidas para formar essa teia cultural capaz de gerar novas leituras e interpretações.
Destaque para o áudio feito por Hilda Hilst, onde a escritora tentou fazer contato com o espírito de Clarice através de rádio frequência, para os diplomas de participação de Clarice em congressos de bruxaria, para as primeiras edições de livros como “Laços de Família” e “Perto do Coração Selvagem” ou as frases pinçadas de livros como “Água Viva”, “A Paixão Segundo G.H.” e “A Hora da Estrela” pintadas nas paredes do espaço.
Todo mundo sabe que Clarice Lispector não é uma autora de fácil leitura e digestão e talvez por esse motivo a ideia de construir diálogos com outras artistas tenha o propósito de deixar a exposição mais palatável, além de atrair pessoas pouco acostumadas a flanar por museus, mostras e exposições.
Oxigenadas, aproveitem que estão no Instituto Moreira Salles, subam um andar e confiram também a exposição “Carolina Maria de Jesus: Um Brasil para os brasileiros” sobre a escritora, cantora, compositora e artista circense que se tornou internacionalmente conhecida pelo livro “Quarto de despejo”. A obra foi traduzida para 13 idiomas distintos e por lá é possível observar algumas dessas publicações, além de fotografias, seu disco de composições próprias e manuscritos inéditos da artista.
Imperdíveis!
Maria Oxigenada

Serviço:
Onde: Instituto Moreira Salles (IMS), localizado na avenida Paulista, 2424.
Quando: terça a domingo, das 10h às 20h.
Preço: grátis.
Obs: é obrigatório a apresentação do comprovante das duas doses da vacina e documento com foto na entrada, além do uso de máscaras no local.
Foto: reprodução