Os flashes não param perante a realeza britânica. Vira e mexe, algum de seus membros fica em evidência. No último dia 07 de fevereiro foi a vez da rainha Elizabeth II, pois a monarca de 95 anos comemorou o jubileu de platina, ou seja, 70 anos de reinado. Na ocasião, ela recebeu alguns súditos para um chá no Castelo de Sandringham, em Norfolk, o mesmo local em que foi ambientado o filme “Spencer”, em cartaz na atualidade.
No entanto, quem protagoniza a obra de ficção é a princesa Diana (Kristen Stewart), pois as câmeras dirigidas por Pablo Larraín acompanham o seu sofrimento e angústia durante os três dias de celebrações do Natal de 1991.
Logo no início da película, o espectador toma ciência de que a história contada na telona é uma fábula de uma tragédia real e que a personagem principal está em uma situação de vulnerabilidade diante de outros coadjuvantes da obra.
As exigências são muitas e variadas, desde participar de diferentes encontros sociais até realizar inúmeras trocas de roupas, seguir protocolos e regras de etiqueta e até se pesar antes e após o término das festividades para constar nos diários da realeza quantos quilos cada um dos integrantes da família ganhou durante o feriado.
O problema é que na época Diana sofria com a bulimia, distúrbio alimentar que desenvolveu logo após seu noivado com o príncipe Charles (Jack Farthing) e que a acompanhou por vários anos. No filme, a doença não é camuflada e a protagonista é tomada por momentos de ansiedade que culminam em gatilhos para a princesa de Gales provocar episódios de vômito.
Agora, o interessante do longa-metragem é que ele também retrata o momento em que Diana decidiu deixar o príncipe Charles, bem como a relação amorosa e próxima que nutria com os seus dois filhos e como ela sentia saudades da liberdade e ingenuidade gozadas em sua infância e pré-adolescência.
“Spencer” também é construído com alguns delírios da personagem como as conversas travadas entre ela e Ana Bolena (Amy Manson), rainha da Inglaterra, que foi decapitada a mando do seu marido e rei Henrique VIII, e com vários desabafos feitos com o chef de cozinha Darren (Sean Harris) ou com a camareira Maggie (Sally Hawkins).
A caracterização e interpretação da atriz Kristen Stewart para o papel está verossímil, tanto na questão estética quanto na adoção de um sotaque britânico e maneirismos parecidos aos encontrados na celebridade. Destaque para os olhares lançados de baixo para cima de Diana aos fotógrafos ou suas inclinações de cabeça idênticas as feitas por Lady Di.
A artista foi indicada como melhor atriz no Globo de Ouro deste ano, mas perdeu o prêmio para a atriz Nicole Kidman (Apresentando os Ricardos). No entanto, ela terá uma nova chance durante a cerimônia do Oscar, pois foi indicada na mesma categoria e irá disputar a estatueta dourada com Penélope Cruz (Mães Paralelas), Jessica Chastain (Os olhos de Tammy Faye), Olivia Colman (A filha perdida) e Nicole Kidman (Apresentando os Ricardos).
E apesar de contar com um elenco eficaz, de possuir boa fotografia e cenografia, a verdade é que “Spencer” apresenta problemas com um roteiro circular, que repete situações e cansa o espectador ao longo de seus 1h57 minutos de duração, todavia a película mostra um desfecho surpreendente e alto astral!

Vale a pipoca!

Maria Oxigenada
Foto e vídeo: reproduções