Quem não se lembra das performances das atrizes Catherine Zeta-Jones e Renée Zellweger na película homônima que abocanhou seis estatuetas douradas, inclusive o Oscar de melhor filme em 2003? Eu sim. E é fato que a dupla enfeitiçou os espectadores com as músicas cantadas e as coreografias executadas diante das câmeras e que foram idealizadas pelo coreógrafo, dançarino e diretor americano Bob Fosse.
No entanto, o musical “Chicago” foi pensado para os palcos, especialmente para a Broadway e o interessante é que o espetáculo continua sendo um dos musicais mais assistidos até hoje, tanto que já levou aos teatros mais de 33 milhões de pessoas ao redor do mundo.
No Brasil, ele foi produzido duas vezes. A primeira vez foi em 2004 com Adriana Garambone, Danielle Winits e Daniel Boaventura como protagonistas da obra. A segunda vez é agora e conta com os atores/cantores Carol Costa, Emanuelle Araújo e Paulo Szot como destaques do show.
Ambientado na década de 20 e na prisão Cook County Jail, em Chicago, o musical se propõe a fazer uma crítica ao showbiz, ao poder judiciário americano, assim como ao sensacionalismo praticado por alguns veículos de comunicação.
Ele joga luz a duas assassinas. São elas: Roxie Hart (Carol Costa) e Velma Kelly (Emanuelle Araújo). Ambas contratam um dos advogados mais requisitados da cidade, chamado Billy Flyn (Paulo Szot), no intuito de defendê-las diante da corte, provando suas “inocências”.
O engraçado do espetáculo é acompanhar as tramoias e mentiras criadas pela dupla com a intenção de continuar ocupando lugar de destaque nas páginas de jornais, bem como permanecer desfrutando de privilégios no cárcere. Outro ponto interessante levantado no musical é a exploração das histórias pessoais das duas presidiárias pela carcereira Mama Morton (Lilian Valeska) com o objetivo de arrecadar algum dinheiro e agenciar as pseudocelebridades.
Sem sombra de dúvidas, o que chamou a atenção na produção atual foi a presença da orquestra composta por 14 músicos distintos no centro da caixa cênica e não escondida no fosso do teatro ou no fundo do palco. Destaque para a participação do maestro Jorge de Godoy.
O ator/cantor Paulo Szot é uma presença importante na condução da narrativa e mais uma vez demonstrou seu talento e seu magnetismo vocal. Já os respiros cômicos da obra ficaram por conta da atuação do ator/cantor Eduardo Amir como intérprete do marido traído Amos Hart. Ele arranca risos da plateia cantando “Mister Cellophane”.
O corpo de baile do musical, especialmente a performance dos bailarinos me fez congelar o sorriso aberto, pois eles executam com esmero os movimentos sensuais feitos com as mãos, pernas e com chapéus idealizados por Bob Fosse, em 1975.
Apesar disso, eu achei que o show não envolveu o público como deveria e senti falta de mais gana de todo o elenco. Esperava vê-lo com sangue nos olhos e lutando até o fim das 2h30 minutos de sua duração para superar as expectativas dos presentes. Na sessão assistida, a atriz/cantora Emanuele Araújo estava visivelmente cansada em cena, especialmente ao término de números que exigiam que ela cantasse e dançasse simultaneamente.
E apesar de Carol Costa não estar na boca da galera, a artista mostrou que tem borogodó em cena, que manja do ofício, que tem fôlego e preparo físico e vocal para protagonizar não só “Chicago” como outros musicais futuramente.
Para quem deseja ouvir jazz, para as Oxigenadas que querem ficar diante de personagens femininos fortes, persuasivas e ardilosas ou para as que almejam ver um espetáculo glamuroso e bem-sucedido mundialmente, eu indico o programa.
Maria Oxigenada

Serviço:
Onde: teatro Santander, localizado na avenida Juscelino Kubitschek, 2041.
Temporada: até 29 de maio de 2022.
Quando: quinta e sexta, às 21h; sábado, às 17h e 21h; e domingo, às 15h e 19h.
Preço: a partir de R$ 37,50.
Obs: necessário a apresentação do comprovante das duas doses da vacina na entrada do teatro, bem como o uso de máscaras durante todo o espetáculo.
Foto: reprodução