Até os viciados em compartilhar dancinhas através do Tik Tok a conhece, pois a música “Eduardo e Monica”, de Renato Russo, é um hino ao amor, ou melhor, é uma canção que conta uma história de amor entre oposto, com ritmo de acontecimentos progressivo, mas contendo alguns saltos temporais na narrativa.
De um lado está Eduardo (Gabriel Leone), vestibulando de 16 anos, órfão de pai e mãe, morador da vila militar de Brasília e que divide seu tempo entre as aulas do cursinho, as partidas de futebol de botão com o avô Bira (Otávio Augusto) e as baladas na companhia de seu melhor amigo Inácio (Victor Lamoglia).
No lado oposto está Monica (Alice Braga), pertencente a elite local, estudante de medicina, filha de um artista plástico e de uma médica, e que é uma mulher contestadora, ativista, engajada politicamente e, é claro, bicho solto!
O caminho dos dois se cruza em uma festa universitária e a partir desse momento eles não se desgrudam mais. Passado o período de paixonite aguda, as diferenças entre eles começam a aparecer, evidenciando o abismo cultural e educacional existente entre os dois.
Apesar disso, as trocas são constantes entre a dupla e eles aprendem muito um com o outro, tanto que comungam da paixão pela fotografia, por teatro, por artesanato e pela natação, além do desejo de cruzar fronteiras, conhecer lugares novos e pessoas diferentes.
A aventura protagonizada por Eduardo e pela Monica ganhou cores, texturas e vida pelas mãos do diretor René Sampaio, o mesmo de “Faroeste Caboclo”, e através das interpretações de Gabriel Leone e Alice Braga. A sua trilha sonora composta por músicas do Titãs, David Bowie, The Smiths, Joy Division, A-Ha, The Clash, Legião Urbana também colabora para isso, pois nos ajuda a compreender a interferência do rock na vida dos jovens dos anos 80.
Questões políticas são abordadas de maneira sutil na obra, mas o espectador é lembrado sobre as heranças deixadas pelo período de ditadura militar (1964 a 1985) e as consequências do exílio de artistas, jornalistas e intelectuais da época.
No entanto, algumas lacunas deixadas pela música de Renato Russo sobre o transcorrer do romance da dupla tiveram que ser preenchidas com cenas imaginadas pelos roteiristas Matheus Souza, Gabriel Bortolini, Claudia Souto, Jessica Candal e Michelle Franz. É fato que algumas delas pingam clichês, mas outras são retratos tênues de dois apaixonados.
Um ponto positivo da película é que os atores Alice Braga e Gabriel Leone possuem química cênica e convencem como casal. Destaque para Gabriel Leone que acrescenta várias camadas ao seu personagem, aumentando sua complexidade.
Ainda assim, eu achei que a produção pecou na escalação dos protagonistas, pois é perceptível que os atores destoam do imaginado por Renato Russo e são muito maduros para os papéis assumidos diante das câmeras.
“Eduardo e Monica” é um filme que cumpre sua proposta de entretenimento, de resgatar um período histórico e um dos maiores sucesso do artista, além de emocionar em várias passagens e nos fazer sonhar com amores improváveis.
O diretor René Sampaio declarou durante o lançamento do longa-metragem “Eduardo e Monica” que ele pretende adaptar outra música de Renato Russo para os cinemas, então só nos resta imaginar qual delas será a escolhida, né!?
Eu indico.
Maria Oxigenada

Foto e vídeo: reproduções