Todo artista sonha em deixar sua marca no mercado e eternizar seu nome na história, né!? No entanto, criar algo memorável não é tarefa fácil! Muito menos, cair na boca da galera, ganhar dinheiro e conseguir viver de suas paixões e arte.
O autor e compositor Jonathan Larson é um bom exemplo disso. Ele é o criador do musical “Rent”, sucesso na Broadway desde 1996 e obra revolucionária, pois retrata a juventude dos anos 80 em Nova Iorque com a descoberta e circulação da AIDS, assim como episódios de homofobia, além da boemia local, a falta de oportunidades e a importância das amizades em momentos difíceis da vida.
Se você é amante de musicais, eu tenho certeza de que já se emocionou com a letra da música “Seasons of Love” ou ouviu “La Boheme”, pertencentes a trilha sonora de “Rent”, mas o enredo de “Tik Tik Boom” foca no processo criativo de Jonathan Larson durante os oitos anos em que escreveu o musical “Superbia”.
A obra nunca saiu do papel, mas foi treino para o autor fazer “Tik Tik Boom” na sequência e encontrar seu tom, estilo e identidade artística, pois Larson escreveu e compôs sobre o cotidiano, sobre o que lhe era conhecido e sobre o que estava no seu entorno, assim como faz os cronistas de jornais e revistas até hoje.
O roteiro escrito por Steven Levenson também evidencia a rotina caótica do protagonista trabalhando em um café durante o dia, compondo freneticamente durante a noite e encontrando pausas de respiro nas águas cloradas e enquanto nadava.
Em muitas ocasiões, os amigos de longa data como Michael (Robin de Jesus) e a sua namorada Susan (Alexandra Shipp) eram colocados para escanteio. Apesar disso, em outras eles foram espectadores de episódios de epifania ou de reafirmação de Jonathan, pois acompanharam grande parte do seu processo de criação.
O diretor Lin Manuel Miranda faz uma homenagem aos musicais através de “Tik Tik Boom”, além de declarar sua admiração a Jonathan Larson. A película é dinâmica e costurada por musicais, mas ela nada se parece com os longas produzidos por Bollywood, onde há atores rodopiando pelos cenários, executando coreografias conjuntamente e a bordo de roupas coloridas.
“Tik Tik Boom” transpira melancolia! E até por esse motivo merece ser conferido. Destaque para a cena em que o personagem principal toca piano no Central Park em uma noite chuvosa ou para a cena em que a música carro-chefe de “Superbia” surge em sua mente enquanto fazia exercícios físicos.
Agora, eu nem sei o que dizer sobre o ator Andrew Garfield! Ele surpreende com os números musicais vistos e é portador de uma voz afinada e gostosa de ser acompanhada. Além disso, o artista entrega uma interpretação enérgica e imbuída de sentimentos; tanto que ele é um dos indicados como melhor ator em filme pelo Sindicato de Atores de Hollywood (SAG Awards).
Confesso que eu chorei em vários momentos do longa-metragem, especialmente nos seus minutos finais e depois de tomar ciência sobre o desfecho real do protagonista.
Eu o indico.

Maria Oxigenada
Foto e video: reproduções