Tem o time dos que gostou do filme e tem o time dos que o malhou! Em qual deles você se encaixa? Independente disso, a película bateu recorde de audiência nas últimas semanas da Netflix e, literalmente, caiu na boca do povão!
“Não olhe para cima” conta com uma narrativa apocalíptica, mas sua história possui críticas à imprensa, às redes sociais, a sociedade do espetáculo, além de fazer um retrato da polarização da sociedade atual e dos questionamentos levantados por ela sobre a importância das ciências e pesquisas.
É claro que o roteirista e diretor Adam McKay não tinha bola de cristal para prever a pandemia e seus desdobramentos, pois idealizou e escreveu o filme antes da primeira onda de surto de Covid, em 2020. No entanto, as peças temáticas pertencentes ao tabuleiro fictício encaixaram-se perfeitamente no agora.
O assunto principal do filme é a descoberta de um meteoro de 10 km de diâmetro que irá se chocar com a Terra no período de seis meses. O alerta é dado pela doutoranda Kate Didiasky (Jennifer Lawrence) e confirmado pelo professor Dr. Randal Mindy (Leonardo DiCaprio).
O problema é que ninguém acredita neles, nem mesmo a Presidente dos Estados Unidos Janie Orlean (Meryl Streep), pois a autoridade está preocupada com sua reeleição e com o apoio de sua candidatura e de seus aliados por bilionários como Peter Isherwell (Mark Rylance), CEO da empresa de tecnologia Bash.
Apesar disso, a dupla de astrônomos vai a público alertar a população mundial sobre a possibilidade de extinção da espécie humana, assim como aconteceu com os dinossauros séculos atrás, mas acaba virando piada diante das câmeras com a manipulação das informações feita por profissionais da mídia.
O descaso é tamanho que os veículos de comunicação preferem abrir espaços em suas grades de programação para realities shows e para acompanhar o desenrolar de relacionamentos de jovens artistas do que para os pesquisadores; tudo em busca de audiências maiores e dos lucros obtidos através do merchandising e publicidade feitos.
O setor empresarial e os players que o compõe são outros que estão preocupados somente com os lucros e o crescimento de seus impérios, pois eles descobrem que o interior do meteoro é valioso e feito com matérias-primas que poderão ser reaproveitadas na criação de novas tecnologias. Tá bom para vocês?
Nesse interim, a população vive como se não houvesse amanhã, acreditando em exagero das projeções científicas e na insanidade dos astrônomos. Destaque para o surto de raiva e indignação da personagem Kate Dibiasky durante uma entrevista ao vivo e que acaba viralizando nas redes sociais através de memes.
O fato é que a película é uma bela sátira, está recheada de personagens caricatos, tais como o chefe de gabinete presidenciável Jason, interpretado pelo ator Jonah Hill, além do bilionário encarnado por Mark Rylance, a Presidente construída pela atriz Meryl Streep que é um mix visto de autoridades americanas que estiveram no poder, entre outros.
Outro ponto positivo do filme é sua trilha sonora criada com composições de Nicholas Britelli, Bom Iver, Allman Brothers Band, David Lee Roth, George Strait, Wu-Tang Clan, The Mills Brothers, The Four Tops, Despost, Chingy e Ariana Grande que, aliás, canta a música título da obra e faz uma participação no longa-metragem.
“Não olhe para cima” possui 2h20 minutos de duração e conta com um roteiro que tem a intenção de chamar a atenção das pessoas para problemas reais de hoje, especialmente as mudanças climáticas, entretanto ele peca no desenvolvimento de subtramas e na inserção de personagens irrelevantes para o drama principal.
Pelo timing da obra, pela sensação de déjà vu criada, pelo tom catastrófico exalado, mas também pela diversão e sutilezas observadas, eu a indico!

Maria Oxigenada
Foto e vídeo: reproduções