Eu continuo na maratona e atrás de programas culturais para indicar para vocês antes que cinemas, teatros, museus, galerias de arte fechem suas portas novamente, pois a variante Ômicron e a Fluorona (gripe+covid) estão fazendo suas vítimas e multiplicando infectados atualmente.
A escolha por conferir o filme “O Festival do Amor” não foi aleatória e foi feita pensando no início da despedida do diretor, roteirista, comediante e ator Woody Allen do mercado de entretenimento, pois o artista está com 86 anos e não sei por quanto tempo mais continuará trabalhando.
O alter ego de Allen é representado na película através de Mork Rifkin (Wallace Shawn), cineasta que abandonou suas atividades de professor universitário para dedicar-se a escrever um romance. O problema é que sua escrita está emperrada e o personagem não consegue sair da primeira página de seu livro, pois impôs para si um alto nível de exigências e de qualidade para sua obra.
Então, sua esposa Sue (Gina Gershon) o convida para acompanhá-la ao Festival de Cinema de San Sebastian, na Espanha, porque irá trabalhar durante os dias de evento como assessora de imprensa de alguns jovens diretores como Philippe (Louis Garrel) e na divulgação de seus trabalhos recentes.
A viagem se transforma em gatilho para Mort, culminando em uma crise existencial, bem como no seu questionamento a respeito do sentido da vida, do amor, da morte e de tantas outras perguntas filosóficas que atormentam a humanidade há séculos.
Mort é um intelectual que gosta de demonstrar sua superioridade mental e bagagem cultural para seus alunos, jovens cineastas, mas também para outros personagens que cruzam o seu caminho como a Dra. Joanna Rojas (Elena Anaya), médica que o atende após o personagem sofrer com uma crise de ansiedade e achar que está sendo vítima de um infarto.
Os episódios e as cenas em que Mort se sente desencaixado são as melhores existentes no filme, mas Woody Allen ainda nos presenteia com outras de flashback, inspiradas em filmes europeus de outrora e que são homenagens aos diretores e criadores do passado.
“O Festival do Amor” conta com 92 minutos de duração, além de uma bela fotografia feita por Vittorio Storare, uma iluminação que privilegia cores quentes como amarelo e laranja, locações junto à natureza e interpretações despojadas, melancólicas, especialmente a entregue por Wallace Shawn. Apesar disso, o filme parece não decolar e possui um ritmo aquém do esperado.
Eu indico “O Festival do Amor” por vários motivos. São eles: por ser o quinquagésimo filme feito por Woody Allen, para prestigiar o cinema independente, por ser mais uma película nostálgica, ambientada fora de Nova Iorque (cidade natal do diretor) e que retrata as nóias humanas e o despertar de paixões efêmeras, bem como o deteriorar de relacionamentos amorosos.

Até a próxima aventura,

Maria Oxigenada
Foto e video: reproduções