“A filha perdida”, livro escrito por Elena Ferrante, foi adaptado para as telas pelas mãos da atriz, diretora e produtora Maggie Gyllenhaal e já entrou na corrida por estatuetas em festivais de cinema e premiações programadas para acontecer neste início de ano como o SAG Awards, prêmio dado pelo Sindicato dos Atores dos Estados Unidos que celebra os maiores nomes da indústria.
A representante da obra é a atriz Olivia Colman que interpreta Leda, protagonista da película e professora de literatura. Na ocasião, ela irá concorrer com Jessica Chastain (Os olhos de Tammy Faye), Lady Gaga (Casa Gucci), Jennifer Hudson (Respect: A história de Aretha Franklin) e Nicole Kidman (Apresentando os Ricardos). O resultado será conhecido no dia 27 de fevereiro.
O filme começa com a chegada de Leda no litoral italiano para desfrutar de um mês de férias sozinha, pois suas duas filhas foram estudar em outros países. Logo de cara, ela se encanta com as belezas naturais do local, bem como com a gastronomia e a hospitalidade dos moradores.
No entanto, a personagem é lançada em um mar de lembranças e memórias pessoais após entrar em contato e conhecer uma família de nova iorquinos, especialmente Nina (Dakota Johnson). Entre observações e devaneios pessoais, Leda traça algumas similaridades entre ela e Nina, compartilhando algumas de suas angústias em relação ao papel de mãe desempenhado por ambas.
Através de cenas de flashback, o espectador toma ciência da inconstância emocional, das insatisfações e exaustão física de Leda quando jovem, pois a protagonista abandonou por três anos suas filhas para ficar com seu amante e priorizar sua tese de doutorado.
Leda reconhece a luta travada por Nina para ser uma boa mãe, particularmente depois do sumiço da boneca preferida de sua filha Elena e confessa a literata sua vontade de desaparecer diante de episódios de birra da filha ou de algumas investidas sexuais de seu marido (Oliver Jackson-Cohen).
O problema é que Leda foi a responsável pelo desaparecimento do brinquedo e agora ela precisa lidar com o sentimento de culpa deixado pelo furto, bem como outros fantasmas trazidos pela boneca.
“A filha perdida” é uma película que se propõe a questionar a maternidade, as necessidades e prioridades femininas além do maternar, assim como evidenciar as nossas fraquezas e as marcas e traumas deixados por cada um dos filhos em nossas almas.
O interessante é que a atriz Olivia Colman constrói sua personagem imersa em mistérios, mas pincela pitadas obsessivas nesta. Ela hipnotiza a cada cena, a cada expressão, pausa e respiro dado, tornando-se uma forte candidata à estatueta no final de fevereiro. Enquanto isso, Dakota Johnson cria sua Nina de forma instigante, carente e atraente aos olhos do espectador.
Destaque para a participação da cantora e atriz irlandesa Jessie Buckley como a jovem Leda. Ao que tudo indica, a artista tem potencial de ser indicada como atriz coadjuvante em futuras premiações, pois entrega uma interpretação harmônica e sinérgica com a desenvolvida por Olivia Colman.
Eu indico a película por vários motivos. São eles: pela sensibilidade de Maggie Gyllenhaal em levantar e aprofundar questões do universo feminino, por convidar o espectador a embarcar em uma jornada para lá de espinhosa, por tangibilizar os cenários, personagens e lembranças do universo de Elena Ferrante.
Confesso que achei “A filha perdida” um dos melhores filmes visto recentemente. Prova de que as plataformas de streaming estão oferecendo oportunidades aos profissionais da área cinematográfica de mostrar seus trabalhos, talentos e histórias.

Beijos,

Maria Oxigenada
foto e video: reproduções