A segunda temporada de “Emily em Paris” é escape perfeito para essas férias de verão, especialmente durante as tardes chuvosas de janeiro. A série da Netflix reafirmou o sucesso de sua primeira temporada e é uma das mais assistidas no Brasil no momento.
A história começa onde parou e não há saltos temporais na narrativa. No entanto, alguns ajustes foram feitos na obra para que seu segundo capítulo sofresse menos críticas do que o primeiro, pois este estava repleto de clichês sobre a cultura francesa.
E apesar da boa vontade do diretor Darren Star em apresentar uma história inclusiva e diversa, Emily em Paris – parte 2 apresenta alguns deslizes e passagens preconceituosas. Um exemplo é a construção feita pela personagem ucraniana Petra (Daria Panchenko), colega de sala de Emily, que morre de medo de ser deportada do país, além de realizar pequenos delitos na Cidade Luz e ter um gosto duvidoso para roupas.
Agora, as demais personagens femininas desfilam com produções fashionistas e nada óbvias, fruto do trabalho da figurinista Patrícia Field. Nesta segunda temporada é possível ver Emily Cooper (Lilly Collins) misturando estampas, circulando com saias e shorts mini, além de babados, mangas bufantes, mullets de tules, além de acessórios estravagantes como luvas de couro, coloridas sem dedos, faixas nos cabelos, óculos e maxi laços.
Já as personagens Camille (Camille Razat) e Sylvie (Philippine Leroy Beaulieu) mantém seus estilos discretos, elegantes e atemporais vistos na primeira temporada. Camille com o uso de maxi, blazers, tweeds, pantacourt, jaquetas estilo militar, sapatos Oxford ou saltos quadrados, bem como saias assimétricas, blusas de couro de ombro único feitas de couro com tachas ornamentando.
Já Sylvie continua chamando a atenção das antenadas através de vestidos de renda, tomara que caia, feitos de linha, além de saias com fendas vertiginosas, blusas com decotes surpreendentes, casacos, ternos e camisas de alfaiataria, pashiminas e biquinis de cortininha.
Isso sem contar na Mindy (Ashley Park), melhor amiga da protagonista, que mais uma vez abusou dos shortinhos, das blusas com decotes ombro a ombro, de animal print, de blazers com mangas varrendo o chão, vestidos franzidos, além das botas over the knees, das sandálias gladiadoras com tiras escalando suas pernas, além de maxi bijus, das luvas estampadas, dos chapéus de todos os tipos e de alguns looks com plumas.
Desta vez, Emily passa a faixa de personagem cafona para Madeline (Kate Walsh), sua chefe americana, que vai até Paris para causar de todas as maneiras possíveis, tanto no quesito fashion como dentro da agência de comunicação Savoir, pois a bonita desfila através das cenas com vestidos justíssimos, saltos altos, sapatos de bico fino e cores vibrantes, bolsas transpassadas, além de muita oncinha; tudo isso ostentando uma barriga de sete meses de gravidez.
Entretanto, a marca registrada de Madeline é que ela está sempre acompanhada de snacks em cena, mastigando entre uma conversa e outra com sua equipe de trabalho. Tal atitude transparece mais do que falta de educação aos franceses e certa ansiedade da personagem em relação ao parto que se aproxima.
Agora, o maior problema da segunda temporada de Emily em Paris é que ela não surpreende os espectadores, desenvolvendo um roteiro circular com a insistência do triângulo amoroso formado por Emily, Camille e Gabriel (Lucas Bravo).
Confesso que eu me animei com a chegada de Alfie (Lucien Laviscount), bancário inglês e peguete da protagonista porque a dupla de atores tem química em cena e poderia quebrar o padrão repetitivo visto até aqui, mas será que a relação irá evoluir na terceira temporada ou subirá ao telhado como outras?
Outro ponto duplicado foi a exploração dos episódios de cyberbullying sofridos por Mindy por parte de seus conterrâneos. Na verdade, o assunto já deveria ter sido encerrado porque ele emperra a escalada de independência da personagem. Apesar disso, Mindy ganhou mais espaço na história e é possível observar os talentos musicais da atriz Ashley Park, especialmente no dueto feito com Benoit (Kevin Dias), seu atual crush.
A série também descortina o passado de Sylvie, assim como apresenta para quem a está assistindo a dinâmica amorosa da personagem, incluindo paixões antigas e suas novas conquistas porque, pelo visto, Antoine (William Abadie) já elvis, há, há, há…
A segunda temporada de Emily em Paris mantém a graça mostrada na primeira, pois possui personagens carismáticos, boa fotografia e ótima trilha sonora, mas perdeu um pouco de seu ritmo e do gostinho novidadeiro.
A grande ausência da obra são as reviravoltas inesperadas (plot twist) que mudam completamente o desfecho da história, o destino dos personagens e que tem a intenção de não somente dar chacoalhadas nos espectadores como prendê-los do inicio ao fim da temporada.
Por extrair risadas, pela diversão, pelas camadas sutis existentes e pela possibilidade do espectador degustar um produto leve, despretensioso, colorido e com algumas texturas, eu o indico.

Maria Oxigenada
Foto e vídeo: reproduções