O Almôndega não seria ele sem a sua arte de final de ano, né!? A lista do que o bonito já aprontou é extensa e com o passar do tempo o meu melhor amigo acumula perrengues natalinos.
Para vocês terem ideia do furacão que tenho em casa, ele já comeu os enfeites da árvore de Natal, já enterrou a perna do peru no jardim, já passou mal com os restos da ceia natalina, já deu seu showzinho por causa dos fogos de artificio e já destruiu a iluminação externa típica da época festiva.
E para não fugir da tradição, no último final de semana ele aprontou mais uma das suas cachorradas. Eu e a galera do bairro organizamos um churrasco de confraternização para revelarmos o nosso amigo secreto anual.
Pois bem! Quando as cinzas já tinham tomado o interior da churrasqueira e nós ainda estávamos colocando ponto final na brincadeira, senti a ausência do Almôndega cirandando entre as pernas dos convidados e rosnando para os papis e embalagens espalhados pelo chão.
Então, eu me levantei e fui atrás do beleza e o vi protagonizando outra cena lamentável de seu repertorio canino. O Almôndega estava trançando as pernas de tão bêbado e não conseguia subir as escadas rumo à felicidade e junto dos meus avós. Ele até tentou disfarçar, mas seu rolamento ladeira abaixo denunciou seu real estado físico. Mereço!
A conclusão é que ele encheu o caneco com os restos de cerveja que estavam depositados nos copos descartáveis espalhados pela borda da piscina e fez isso escondido de todos para que ninguém o recriminasse ou cortasse seu barato.
Só deu tempo de pegar a chave do carro e sair correndo rumo ao hospital veterinário do bairro e, pelo caminho, ele vomitou no colo do Fê e ambos chegaram ao pronto socorro exalando um perfume azedo, há, há, há…
O veterinário o colocou no soro e ali o Almôndega ficou por mais de uma hora simplesmente largado na maca. Nesse interim, o profissional me alertou sobre casos de intoxicação alcóolica ocorridos com pets e sobre os problemas causados pela ingestão de álcool em suas saúdes, tais como: episódios de desorientação, vômitos, convulsões, perda de coordenação motora, sonolência e até comas, arritmias cardíacas e insuficiências renais. Tá bom para vocês?
Para mim foi suficiente para eu pensar duas vezes antes de deixa-lo solto durante eventos sociais domésticos, permitindo que ele sociabilize com os convidados. A partir de agora, ele ficará preso na área de serviço, junto com seus brinquedos e nem adianta arranhar a porta, choramingar, virar no Jiraya porque não cederei às suas chantagens emocionais!
A aventura terminou conosco voltando para casa com o Almôndega com os olhos de ressaca, rejeitando sua ração e indo direto para sua casinha com o rabo entre as pernas, mas com a alegria de se embebedar da companhia do seu Piu Piu de pelúcia.
Isso que dá ser pingaiada, né!?

Maria Oxigenada
Foto: reprodução