Senta que lá vem textão! Tudo porque o filme “A Crônica Francesa” é uma homenagem ao jornalismo, mas não o praticado hoje em dia e sim aquele feito no século XX e quando todo mundo desfilava com um exemplar enrolado de baixo do braço como se fosse uma baguete francesa.
Para isso, um elenco formado por Frances McDormand, Bill Murray, Tilda Swinton, Owen Willson, Benicio Del Toro, Adrien Brody, Léa Seydoux, Thimothée Chalamet, além de Elisabeth Moss, Jeffrey Wright, Fisher Stevens, Griffin Dunne, Stephen Park, entre outros atores uniram-se para contar a história criada por Wes Anderson.
A película se divide em quatro crônicas distintas, mas antes do início da primeira o espectador acompanha o desenrolar de uma reunião de pauta, ou seja, uma reunião realizada entre os jornalistas de diferentes editorias de um jornal impresso para discutir quais são os assuntos relevantes para constar na próxima edição do veículo.
A primeira história faz um tributo aos repórteres de revistas e cadernos de viagens e turismo através do personagem Herbsaint Sazerac (Owen Wilson), pois ele tem a missão de apresentar os pontos turísticos, as peculiaridades, o estilo de vida dos moradores da fictícia Ennui-sur-Blasé, bem como evidenciar aos espectadores as transformações econômica e sociais sofridas nos últimos anos na localidade.
Já a segunda crônica flana pelo universo cultural, colocando em destaque os cadernos de cultura, artes e lazer presentes em qualquer veículo de comunicação. Para isso, ela destaca a exploração financeira de artistas através da sofrida pelo personagem Moses Rosenthaler (Benício Del Toro), psicopata e pintor preso há décadas que tem a carcereira Simone (Léa Seydoux) como sua musa e amante. Seu talento e quadros são descobertos pelo marchand Julien Cadazio (Adrien Brody) que transforma o artista em um nome de destaque no mercado.
Enquanto isso, a terceira história contada na obra lembra da importância das páginas dedicadas aos problemas ocorridos entre as ruas das cidades, além dos descontentamentos da população em relação aos administradores locais. Aqui, quem ganha os holofotes são os estudantes, especialmente Zeffirelli (Thimothée Chalamet), líder estudantil de uma cidadezinha francesa que promove uma revolução e é observado de perto pela jornalista Lucinda Krementz (Frances McDomand).
E o desfecho da película acontece com a presença de uma crônica dedicada à crítica gastronômica e aos cadernos de comida existentes até hoje em dia. Para isso, o chef de cozinha Nescaffer (Stephen Park) é transformado em herói da narrativa pelas mãos e criatividade do jornalista interpretado pelo ator Jeffrey Wright que o insere dentro de um enredo recheado com sequestro infantil, perseguições policiais e envenenamentos, pois o diretor Wes Anderson recorre à animação para melhor ilustrar este trecho do filme.
Agora, o ponto final de “A Crônica Francesa” é dado com outra reunião de jornalistas na intenção de escreverem conjuntamente o obituário do editor-chefe e fundador do veículo Arthur Howitzer Jr. (Bill Murray), numa clara homenagem ao jornalismo praticado no passado e que já está sepultado hoje.
A revista americana The New Yorker, além do cinema francês e da estética francesa serviram de inspirações para Wes Anderson construir o filme “A Crônica Francesa” e reverenciar todos os contadores de histórias reais e imaginárias que têm as palavras como seu principal instrumento de trabalho.
O interessante de “A Crônica Francesa” é que a sua mensagem também é transmitida através da sua fotografia, dos figurinos e da cenografia que, aliás, são os pontos altos da obra.
Em relação às interpretações, o destaque da película recai sobre a atuação do ator Benício Del Toro que acrescenta várias camadas ao seu Moses Rosenthaler, mas não há como ignorar a presença cênica de Tilda Swinton como narradora da obra e de Frances McDormand como a personagem feminista e à frente de seu tempo.
No entanto, eu achei o ritmo da película cansativo! E apesar de ter ficado alegre com a homenagem feita à imprensa de outrora e com o primor estético no desenvolvimento de cada uma das crônicas, confesso que eu estava ansiosa pelo seu fim.
Até a próxima aventura,

Maria Oxigenada
Foto e vídeo: reproduções