Não tem dinheiro que pague acompanhar a semana de moda paulistana presencialmente! Eu que o diga! No entanto, algumas apresentações continuaram acontecendo virtualmente, mas a maioria dos desfiles ocorreu no Pavilhão das Culturas Brasileiras, localizado no Parque do Ibirapuera.
Tendências e modismos foram apresentados durante os seis dias de evento, mas esta edição foi marcada pelas conversas trocadas entre o universo fashion e o dos games, resultando em produções com pegada oriental, feitas em couro, com tecidos tecnológicos, além da presença de faixas escorridas, correntes, chockers, cintos usados como suspensórios, perucas coloridas, tênis com língua solta, óculos de sol finíssimo com lentes arredondadas (jogo Free Fire).
Outros acessórios também ganharam destaque durante os shows de moda, tais como: ilhoses (Modem Studio), botões de metais e plataformas (Lilly Sarti), boné (Torino), viseiras, cartolas e casquetes (Ronaldo Fraga), chapéus de trilha com proteção de pescoço (P-Andrade), chapéus de caubói (Naya Violeta), mocassins e tênis (À La Garçonne), pochetes usadas transversalmente, luvas (Weider Silveiro), meias finas e estilo arrastão, faixas de couro (Modem Studio), toucas de crochê (Ateliê Mão de Mãe), bem como fios de nylon puxados na intenção de criar volumes para os looks (Aluf), além de miçangas coloridas (Meninos Rei), maxi brincos (Projeto Ponto Firme), colarinhos avulsos (João Pimenta) e, pasmem, até bolsa de colostomia (Walério Araújo).
Outro detalhe observado foi a diminuição do uso de zíperes expostos pelos estilistas e o desenvolvimento de peças despojadas, inteiriças, com estética limpa, leve e que mesclavam alfaiataria com minúcias esportivas.
Quanto aos decotes, os assimétricos presentes no desfile da grife Anacê foram os mais curiosos, mas outras marcas apostaram em produções sexies, com recortes estratégicos e diferentes como as grifes Mnisis e Ellus.
As vibrações sentidas nos primeiros dias de evento continuaram tranquilas e sendo extraídas de uma paleta de cores que privilegiava tonalidades neutras e tons terrosos, entretanto a positividade em relação ao momento atual fez com que cores vibrantes como vermelho, rosa, dourado, laranja e amarelo marcassem presença nesta semana de moda (Meninos Rei, Ronaldo Silvestre, Mnisips, ÀLG Brand, Santa Resistência).
Já as próximas estações serão marcadas por estampas florais, afro, rupestres, de animal print, xadrezes, entretanto quem arrepiou os pelos de seus convidados foi a marca À La Garçonne com imagens do filme “O Exorcista” estampadas em suas camisetas com um método que não utiliza água no processo.
Vocês sabiam que a indústria da moda é uma das grandes poluidoras do meio ambiente? Pois é! A quantidade de água necessária para a confecção e tingimento de tecidos é enorme! Isso sem contar que o descarte desse líquido sem nenhum tipo de tratamento pode causar danos irreparáveis ao solo, aos rios e as nascentes.
Não é de hoje a preocupação que muitas labels e estilistas têm em relação à sustentabilidade, mas o interessante é que algumas delas estão trocando informações com a tecnologia disponível na intenção de cumprirem os seus papeis junto à preservação de gerações futuras e da humanidade.

Beijos,

Maria Oxigenada
Foto e videos: reproduções