Todas as atividades culturais retornaram e peças de teatro, musicais, exposições de arte, espetáculos de dança, assim como exibições de filmes e a realização de shows voltaram a acontecer na capital paulista, entretanto os festivais de música ficaram para 2022 e o primeiro grande evento programado para acontecer é o Lollapalooza, em março do próximo ano.
E como os tempos atuais não estão para brincadeira, muitos produtores culturais resolveram apostar em espetáculos bem-sucedidos e que já foram grandes bilheterias no passado. A peça “Homens no Divã” é um exemplo disso, pois a obra já atraiu mais de 250 mil pessoas ao teatro desde sua estreia em 2013 e foi a escolha do diretor, produtor e ator Darson Ribeiro para o momento.
Na ocasião, o palco é ocupado por três personagens distintos. São eles: o bombeiro Renatão (Guilherme Chelucci), o ginecologista Cadu (Olivetti Herrera) e o executivo Frederico (Darson Ribeiro). O trio corre para o divã, ou melhor, para um consultório psiquiátrico na tentativa de resolver ou entender os problemas que estão tendo com as suas mulheres.
Frederico, por exemplo, chega ao local aos prantos, ostentando um par de chifres na cabeça e inconformado com o término de seu casamento de 18 anos. Já Renatão resolve fazer sessões de análise por sugestão de sua namorada Kelly, pois é um homem machista, infiel e que não consegue conter seus instintos diante das minas. E o Cadu, então? Ele aterrissa por lá porque é aquele tipo narcisista, egocêntrico e que não enxerga e nem valoriza a companheira que tem.
O interessante da peça é que as fraquezas, as dúvidas e as inseguranças do trio são compartilhadas entre eles na sala de espera do consultório médico, numa espécie de terapia em grupo e tendo o público como ouvinte e observador.
Ao longo dos 90 minutos de duração do espetáculo, a plateia acompanha as transformações sofridas por cada um deles, especialmente Fred que passa por uma repaginada geral, aprende a socializar novamente e até a circular por ambientes como baladas, academias de ginástica, saunas, etc.
Já a lição absorvida por Renatão é outra e extrapola a superficialidade e liquidez das relações atuais para mergulhar no encontro consigo e na descoberta de sentimentos profundos como o amor verdadeiro.
A evolução de Cadu acontece depois que ele para de olhar somente para seu umbigo, levanta sua cabeça e demonstra interesse no que acontece com as pessoas ao seu entorno.
“Homens no Divã” peca por estar recheada de clichês, piadas machistas e interpretações estereotipadas. No entanto, ela discute a importância da saúde mental, a busca por ajuda especializada em momentos de dor e sofrimento agudo, a evolução humana, bem como a relevância da força de vontade individual para viradas de páginas e mudanças de rotas pessoais.
Outro destaque da obra é sua cenografia que conta com um divã vermelho com as curvas semelhantes às encontradas em trompas de falópio. O objeto cênico tem o objetivo de não só preencher o espaço vazio do palco como também acolher física e emocionalmente os personagens sob os holofotes.
“Homens no Divã” tem a participação especial da atriz e apresentadora Marília Gabriela como a psiquiatra do trio, entretanto ela faz somente intervenções e interações sonoras com os personagens.
Para quem busca entretenimento, um programa cultural leve, de fácil absorção, então “Homens no Divã” talvez seja o ideal para você nesse primeiro momento de retomada das atividades e quando ainda estamos azeitando a nossa engrenagem cognitiva e de discernimento.
Até a próxima aventura,
Maria Oxigenada

Serviço:
Onde: teatro D, localizado na rua João Cachoeira, 899/Piso G 2.
Temporada: até 04 de dezembro de 2021.
Quando: sábado, às 18h15.
Preço: entre R$ 40,00 e R$ 80,00.
Fotos: reproduções