A escolha não foi aleatória e foi feita a dedo, pois eu queria voltar aos musicais com um espetáculo que realmente valesse a pena e empolgasse vocês! A escolha foi por “Barnum – O rei do show” e o principal motivo foi que a obra é ambientada dentro de um circo. Cenário mais criativo, colorido e estimulante não há, né!?
Outra razão foi que eu simplesmente amei a versão cinematográfica feita em 2017 que contava com os atores Hugh Jackman, Michelle Williams, Zendaya, Zac Efron, Rebecca Ferguson, entre outros no elenco. Isso sem dizer na mensagem existente por trás da trama principal e que fala sobre a importância da construção do amor próprio, da aceitação pessoal, assim como da existência das múltiplas facetas do sentimento maior.
Fui ao teatro também na esperança de ouvir a adaptação da trilha sonora da película, especialmente a tradução feita das músicas “This is me”, “Never Enoguh” e “A Milliom Dreams” que tanto me tocaram anos atrás.
O enredo da peça continua sendo o mesmo. O showman Phineas Taylor Barnum (Murilo Rosa) faz uma sociedade com James A. Bailey (Thiago Machado) na intenção de criar o maior espetáculo do mundo com a presença de três palcos distintos, a participação de animais selvagens e exóticos, além de acrobatas, números de malabares e nos trapézios, bem como a criação do “museu de aberrações”, onde personagens pouco vistos no showbiz e minorias formadas por anões, mulheres barbadas, gigantes do bem, entre outros ganhariam os holofotes.
O problema é que um incêndio criminoso atinge e destrói as instalações do museu, transformando em cinzas as ambições de Barnum e James. Os dois precisam encontrar uma solução rápida para conseguirem honrar os empréstimos contraídos e cobrir os gastos mensais do circo. No entanto, ela não demora muito para chegar e surge ao som de um rouxinol sueco, ou melhor, da voz da cantora Jenny Lind (Giulia Nadruz).
O encanto do público e de Barnum pela cantora é percebido não só pela imprensa local e autoridades, como também por Charity Barnum (Kiara Sasso), esposa do rei do show. Apesar disso, ela adota a postura de esfinge, faz vista grossa ao brilho nos olhos do marido e das línguas ferinas e segue firme, forte e dona de si.
O melhor de “Barnum – O rei do show” são os números circenses vistos e executados por uma trupe com 13 integrantes, além da participação e da voz suave de Kiara Sasso, veterana de musicais. A cantora Giulia Nadruz também arranca aplausos da plateia após soltar sua voz no palco, mas eu confesso que estava esperando seu momento apoteótico com a interpretação de “Never Enoguh” que, por sinal, não veio. Com isso, eu cristalizei as lembranças da interpretação da atriz Rebecca Ferguson no filme e revi a cena através do Youtube. Arrepiante!
Agora, o maior problema da peça é que passagens importantes da obra não são encenadas e o público toma ciência do ocorrido na narrativa através de informes feitos pelos atores em cena, cabendo a quem está assistindo ao espetáculo imaginar os pormenores de cada uma dessas passagens cênicas.
Outro ponto conflituoso do show é que o ator Murilo Rosa não tem tamanha desenvoltura vocal, nem acrobática que o papel de protagonista de “Barnum – O rei do show” demanda. Talvez se o ator Domingos Montagner ainda estivesse vivo, ele sim poderia desenvolver o papel como esperado, aproximando sua interpretação da feita pelo ator Hugh Jackman na película.
“Barnum – O rei do show” é um musical destinado para quem está em busca de uma aventura divertida, alegre, inocente e destinada para toda a família. Boas risadas estão garantidas!
Beijos,
Maria Oxigenada
Serviço:
Onde: teatro Opus, localizado na avenida das Nações Unidas, 4771 (dentro do shopping Villa Lobos).
Temporada: até 28 de novembro de 2021.
Quando: sexta, às 20h30; sábado, às 17h e 20h30; domingo, às 16h e 19h30.
Preço: entre R$ 50,00 e R$ 200,00
Foto e video: reproduções