Nessa altura do campeonato, vocês já devem ter ouvido falar sobre a versão nacional de “Casamento às Cegas”, né!? Notícias sobre a atração bombou na última semana, especialmente porque o público conheceu quem subiu ao altar e disse sim ao parceiro (a) e quem colocou ponto final no relacionamento antes do desfecho oficial da atração.
A fórmula do programa é a mesma vista na sua versão americana, lançada ano passado e que fez grande sucesso entre os assinantes da Netflix durante a pandemia. No entanto, não custa relembrar que os casais heterossexuais vistos sob os holofotes são formados às cegas e depois de muito blábláblá trocados em cabines, pois na primeira fase do experimento nenhum participante pode ver ou tocar em seu par.
Já em um segundo momento, eles partem para a lua-de-mel e desfrutam de alguns dias em um hotel fazenda. A tranquilidade do local, bem como os programas feitos conjuntamente têm a intenção de aumentar a intimidade e cumplicidade dos noivos.
As vendas nos olhos só caem depois que as duplas voltam às suas rotinas profissionais e pessoais, reencontram familiares e amigos e percebem que conviver conjuntamente não é brinquedo, não! E nem poderia ser diferente, pois cada um possui uma bagagem, experiencia de vida e história distinta e não há receita de sucesso para um relacionamento dar certo e sim, vontade, flexibilidade, comprometimento, entrega, respeito, amor e estar aberto para dialogar, aprender e trocar com o outro.
O burburinho no entorno de “Casamento às Cegas” Brasil aconteceu por vários motivos. São eles: muitas falas machistas proferidas por alguns participantes e que reafirmaram o que eu venho batendo constantemente com vocês sobre os reflexos de nossa herança patriarcal.
Em contrapartida, eu acompanhei mulheres empoderadas, inteligentes, fortes, articuladas, com discursos prontos e dispostas a alterar esse cenário construído atrás de uma cortina de testosterona. Constatei também que muitas Oxigenadas participantes também eram mulheres românticas que se permitiram vivenciar momentos a dois e que buscavam companheiros para suas jornadas e não provedores.
O bacana é que a produção de “Casamento às Cegas” acertou na escolha dos participantes da primeira edição, além de seus apresentadores. A atriz Camila Queiroz e o ator Klebber Toledo conduziram bem a atração, fazendo poucas interferências diante das câmeras e tornando-se bons ouvintes nos episódios finais.
Quanto aos futuros espectadores, eles irão se deliciar com algumas indecisões e dúvidas dos envolvidos, com as junções de pessoas inimagináveis, além de discussões acaloradas, de amassos invejáveis, de rios de lágrimas formados naturalmente, de textões ditos em pleno altar, de risadas trocadas e, especialmente, de voadoras distribuídas, particularmente pelos pets da galera.
Confesso que eu me diverti bastante durante os 10 capítulos de “Casamento às Cegas”, mais até que a versão original e torci muito para que o filme inspiração de algumas Oxigenadas presentes não fosse a película “Ensaio sobre a cegueira”, de José Saramago, e sim “Noiva em fuga”, protagonizado pela atriz Julia Roberts, porque o que há de boys lixo e tóxicos na atração é inacreditável, há, há, há…
Eu indico o programa pelo entretenimento, pelos dramas vistos, pela alegria e espontaneidade transbordantes dos participantes, mas particularmente para quem deseja acompanhar as fagulhas de paixões efêmeras ou o passo-a-passo da construção de relacionamentos amorosos equilibrados, onde um se dispõe a enxergar o outro por inteiro e não somente fragmentos de frestas de vendas.
O amor é cego? Descubram vocês!

Maria Oxigenada
Foto: reprodução