Logo ao adentrar o portão do parque Ibirapuera, eu fui tomada por uma música instrumental que replicava uma obra de Vinícius de Moraes. Conforme eu caminhei em sua direção, eu percebi que ela foi ficando mais forte e presente até que me deparei com um adolescente com uma flauta transversal em punho.
A recepção feita por ele foi uma grata surpresa, mas não maior do que a que tive ao cruzar a porta do Pavilhão da Bienal para conferir a edição em cartaz, intitulada “Faz escuro mas eu canto”.
O verso pinçado do poema “Madrugada Camponesa”, de Thiago de Mello, é um convite a reflexão sobre a força transformadora da arte, especialmente em momentos de incertezas, medos, privações e dúvidas como os atuais.
Ao todo, são 1.100 obras expostas de artistas de nacionalidades distintas, inclusive trabalhos de artistas indígenas. Além disso, algumas dessas obras ganharam a liberdade e estão distribuídas pelo parque e não protegidas no espaço projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer.
A natureza é um dos fios condutores da exposição, assim como a interconectividade entre os povos na intenção de compreender atitudes alheias, decifrar comportamentos e culturas diferentes. Essas trocas e conversas acontecem não só através de pinturas, instalações, como também através de fotografias e objetos de outrora como tapetes, vasos de barro, figurinos de peças teatrais, etc.
O ambiente é preenchido por cantos indígenas, bem como por depoimentos pessoais de vozes abafadas no momento, além de falas de pesquisadores como historiadores, antropólogos, sociólogos e comunicadores que discorrem sobre assuntos, tais como: refugiados, racismo, globalização, mestiçagem, heranças latinas, desmatamento florestal, aquecimento global, interesses políticos, entre outros.
O bacana de quem está flanando pela Bienal é que também é possível assistir algumas apresentações musicais e performances artísticas ao vivo, além de participar de conversas com monitores e encontros com alguns artistas contemporâneos. Visitas guiadas precisam ser agendadas previamente.
E o programa cultural pode ficar ainda mais apetitoso, pois food trucks estão disponíveis na parte externa do pavilhão para atender quem deseja fazer uma boquinha antes de ir embora do parque. Já para aqueles que preferem algo mais formal e substancioso, há um café e um restaurante no local.
“Faz escuro mas eu canto” é aquele tipo de programa indicado para toda a família. Eu o sugiro por conter uma faceta educacional, outra cultural e outra informativa, pois a Bienal das Artes é ideal para quem deseja oxigenar seus conhecimentos e rechear suas bagagens pessoais.

Até a próxima aventura,
Maria Oxigenada

Obs: O comprovante de vacinação, seja no formato impresso ou digital, é exigido na entrada da exposição.
Serviço:
Onde: Pavilhão da Bienal, localizado dentro do Parque do Ibirapuera.
Até quando: 5 de dezembro de 2021.
Horário de funcionamento: terça, quarta, sexta e domingo, das 10h às 19h; quinta e sábado, das 10h às 21h.
Preço: grátis
Foto: reprodução