Fato. Quem nunca sonhou em fazer um intercâmbio cultural? A maioria de adolescentes e jovens tem o desejo de queimar fronteiras para aprender um novo idioma ou ter uma experiência internacional no currículo.
No entanto, o aprendizado resultante da aventura é maior e engloba amadurecimento pessoal, aumento de responsabilidades, além de ser uma ferramenta para o autoconhecimento, bem como uma oportunidade para fazer amigos, imergir em costumes estrangeiros e começar a trilhar caminhos de independência.
Há várias maneiras de intercambiar, mas a escolhida por Bárbara (Larissa Manoela) e Taila (Thati Lopes), personagens do filme “Diários de Intercâmbio”, foi através do programa au pair, ou seja, a permuta de serviços. Ainda não entendeu? Eu explico. O estudante precisa frequentar as aulas de idioma e trabalhar algumas horas semanais em alguma casa de família para não precisar gastar com comida e hospedagem.
No entanto, até aquele momento as amigas só haviam voado através da imaginação, pois Bárbara é vendedora de revistas em um aeroporto carioca e Taila é funcionária de uma cooperativa de taxis dentro do mesmo local. Preguiça!
E quem abre os olhos de Bárbara para a nova oportunidade é Brad (David Sherod James), comissário de bordo americano e amigo da dupla. Ambas raspam seus cofrinhos, chutam o balde e partem para uma temporada em Woodstock, pequena cidade do Estado de Nova Iorque.
A graça da película está justamente em acompanhar a adaptação das duas, assim como seus primeiros dias na escola, além das dificuldades na comunicação, na realização de tarefas domésticas e na compreensão de costumes distintos, pois Taila caiu de paraquedas na residência de um casal conservador, patriota e essa realidade é muito diferente da que ela tinha em Niterói.
Aliás, é nesse ambiente íntimo que a personagem protagoniza os melhores momentos de escapismo da obra e diverte a galera! Já para Bárbara restou salpicar uma dose de romance no filme, pois ela engata um casinho com Lucas (Bruno Montaleone), brasileiro que trabalha em uma estação de esqui da cidade.
Há outros pontos positivos em “Diários de Intercâmbio” como ser uma obra alegre, com uma boa trilha sonora que privilegia artistas como Cartola, Rebeca Sauwen, Larissa Manoela, Thati Lopes, Sofia Leão e Ricardo Leão. Destaque para a atriz e cantora Emanuelle Araújo que interpreta Zoraia, mãe de Lucas, e que solta a voz algumas cenas do longa-metragem.
E vocês sabem que a atriz Larissa Manoela segura bem sua personagem e confirma sua evolução diante das câmeras desde que estreou nas telonas no filme “O Palhaço”, né! Apesar disso, quem rouba a cena é a comediante Thati Lopes com aquele timing brazuca para as piadas.
O problema de “Diários de Intercâmbio” são seus diálogos fracos, a falta de aprofundamento das narrativas secundárias e um final que não surpreende. Se você prestar atenção na história é bem possível que você consiga prever seu ponto final.
Para quem almeja fazer programas leves, divertidos e descompromissados, então “Diários de intercâmbio” é a pedida do dia.

Maria Oxigenada
Foto: reprodução