A indústria cinematográfica não se cansa de produzir obras que abordam as delícias e os percalços percorridos por dançarinos para encontrar o reconhecimento profissional. As sapatilhas da fama foram vestidas e representadas nos últimos anos nos seguintes filmes: “Cisne Negro”, “Sob a luz da fama”, “I Dream of Dance”, “Batalhas”, “Magic Mike”, “Climax”, “A Dançarina Imperfeita”, “Feel the Beat”, “Lindinhas”, “Tribo Urbana”, além da animação “A Bailarina” e das séries “O Preço da Perfeição”, “Navillera” e “Move”, disponíveis na Netflix.
O documentário “Dancer” não é novidade entre os amantes do balé e da dança, mas somente agora eu resolvi trazer o personagem à baila. Seu enredo é construído com os passos dados pelo bailarino ucraniano Sergei Polunin para transformar-se em uma lenda da dança.
O bonito começou cedo e aos seis anos de idade já fazia rodopios e saltos na escola de balé local, mas sua virada pessoal ocorreu quando ele tinha 13 anos e partiu para a maior aventura de sua vida, pois foi estudar na capital inglesa e no Royal Ballet de Londres. Aos 19 anos, ele já era o primeiro bailarino da companhia, protagonizando os espetáculos clássicos da modalidade.
Uma pressão enorme recaiu sobre Sergei Polunin, além de exigências e inúmeras cobranças. O resultado disso foi que o gato eriçou seus pelos, caiu nas drogas, assumiu sua faceta de bad boy, riscando seu corpo com várias tatoos, além de desenvolver um estado deprê, questionando-se a respeito dos motivos que o levaram a dançar e estar sob os holofotes.
Então, Sergei Polunin resolveu chutar o pau da barraca, abandonando seu posto de protagonista da companhia aos 22 anos. Foi em busca de afeto, de suas raízes e sua família na Ucrânia.
Voltou aos palcos como bailarino convidado em espetáculos encenados na Rússia, mas foi com o clipe musical “Take me to church”, do cantor irlandês Hozier, que teve seu nome novamente na boca do povão, pois a obra viralizou na internet, foi vista por milhões de pessoas em uma única semana, reafirmando sua presença cênica e inspirando crianças e adolescentes a dançar. Lindíssimo!
Hoje, o artista está investindo seu tempo em aprender a arte da interpretação. Seu debut ocorreu no filme “Assassinato no Expresso do Oriente”, de 2017, mas ele também fez uma participação no filme “Operação Red Sparrow”, de 2018. No mesmo ano, ele filmou “O Corvo Branco”, dirigido por Ralph Fiennes, sobre a vida do bailarino russo Rudolf Nureyev que ajudou a diluir barreiras entre a dança clássica e a contemporânea.
A bem da verdade é que o príncipe não virou sapo, não! Ele apenas mudou de habitat, saltando na direção de novos desafios, oportunidades e aventuras mais coerentes com seu real estado de espírito.
E assim como o bailarino Sergei Polunin, a ginasta Simone Biles abriu mão de algumas disputas e apresentações durante as Olimpíadas de Tóquio, expondo ao mundo as pressões psicológicas que os atletas são submetidos na busca por resultados positivos. Na ocasião, ela priorizou sua saúde mental e bem-estar.
Eu indico o documentário para as Oxigenadas que desejam conhecer um pouco mais sobre a história de vida desse dançarino que não teve receios em colocar um ponto final em uma carreira bem-sucedida e que agora está mostrando outra faceta artística.
Até a próxima aventura,
Maria Oxigenada
Serviço:
Onde assistir: www.vimeo.com
Foto e vídeo: reproduções