Se a intenção é tombar culturalmente e por completo, então a dica é visitar ao Instituto Tomie Ohtake e conferir as cinco exposições em cartaz na atualidade no local. A aventura é completa e uma prévia do que será visto durante a Bienal de São Paulo, evento programado para acontecer entre setembro e dezembro no Pavilhão da Bienal e que irá privilegiar trabalhos de artistas indígenas e povos originários.
A sugestão é para que vocês subam as escadas do instituto e comecem o tour pela exposição “Pierre Verger – Percursos e Memórias”. Ao todo, são 300 itens disponíveis para apreciação, sendo: fotografias em preto e branco, alguns negativos, bem como documentos pessoais como passaportes, anotações escritas à mão, publicações em revistas e jornais de época e cartas do fotógrafo, pesquisador e etnógrafo Pierre Verger.
O material é rico e construído com registros de suas viagens pela Europa, Ásia, Américas e Oceania. O artista clicou festas populares como o carnaval brasileiro, as rodas de samba, além do sincretismo religioso de culturas como a iorubá e fon, bem como outras manifestações culturais vistas em suas andanças.
Na sequência, visitem a exposição dedicada ao pintor Di Cavalcanti e os murais feitos pelo artista com temática brasileira. Di Cavalcanti pintou as alegrias, os afetos, os desejos, os devaneios e as tragédias, além das vibrações sentidas em encontros festivos como serestas, carnavais e rodas de samba de outrora.
O terceiro pino da visitação cai após vocês flanarem pela exposição “Luiz Braga – Luz, Espelho e Escudo”, localizada ainda no primeiro andar do espaço e que retrata através de fotografias coloridas a cultura paraense, a comunidade local e algumas manifestações religiosas como o Círio de Nossa Senhora de Nazaré, celebração realizada anualmente em Belém e que hoje é considerada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura).
Já o quarto e quinto pinos da aventura cultural estão dispostos no piso térreo do Instituto Tomie Ohtake e são distintos dos demais, pois são recheados pelas aquarelas coloridas e abstratas feitas pelo artista José Alberto Nemer ou pela poética encontrada nas obras da artista Tomie Ohtake que, aliás, compõem a mostra “Os sons dos sins” que é embalada pelo cântico “Béradêro”, de Chico César, tocado a cada 30 minutos no local.
Para as Oxigenadas que desejam fazer um strike cultural, então a dica é ficar por horas diante de fotografias, pinturas, palavras e objetos pessoais de artistas que tiveram a sensibilidade em registrar rituais, celebrações, festas, danças e pessoas de culturas e povos diferentes.
Sempre é um ganho! E eu indico o passeio.
Maria Oxigenada
Serviço:
Onde: Instituo Tomie Ohtake, localizado na rua Coropés, 88 – Pinheiros.
Horário de funcionamento: de terça a domingo, das 12h às 17h.

Preço: grátis
Foto: reprodução