Transportar os desfiles para lugares inusitados, apresentando as novas coleções de maneira poética e diferente foi um dos bônus gozados pelas grifes durante esta pandemia. E quantas apresentações incríveis nós assistimos nos últimos meses, né!? Eu nem sei mensurar, mas sei que algumas delas foram verdadeiras obras de arte criadas na intenção de tocar emocionalmente os espectadores e consumidores de marcas renomadas.
Na última semana, a label nacional Paula Raia mostrou sua coleção primavera/verão em Lajeado de Pai Mateus, na Paraíba, e o show fashion foi batizado com o nome de “Entre o tempo do vento e as formas das pedras”, pois explorou a natureza na confecção de seu produto-arte.
Não é de hoje que a estilista discute a questão do tempo, bem como o consumo desenfreado, além das exigências do mercado e das marcas participantes de semanas de moda. No entanto, ela caminha na direção contrária e em ritmo mais lento, produzindo peças atemporais e artesanais que demandam semanas ou meses para serem concluídas.
O desfile foi colorido com bandeiras identificando as tonalidades trabalhadas na coleção e a cartela de cores primou pelas suaves como rosa bebê, amarelo, branco, manteiga, mas não ignorou a vibração do vermelho, da prata e do azul.
Peças com cintura baixa e fora do lugar, assim como babados laterais, mangas infladas, decotes profundos, rendas recortadas, pepluns, túnicas, além de transparências, de bordados feitos com linhas, dos transpasses e de releituras de quimonos foram mostrados no fashion movie.
No entanto, o que chamou a atenção na coleção foram os acessórios, tais como: chapéus adocicados de abas enormes, além dos buckets de palha e lã, cintos com fivelas de madeira e lenços compridos usados para proteger as madeixas.
Outros destaques foram os apliques trançados enormes usados pelas modelos e o make natural ostentado na ocasião pelas bonitas que destacava somente seus olhos com delineados feitos a partir de lápis marrom ou coloridos.
Agora, o espectador só teve ciência da dimensão da beleza do cenário escolhido pela marca após ficar diante de cenas aéreas captadas por drones e após acompanhar a subida dos créditos da obra com as imagens que antecederam as filmagens oficiais.
Por si só, a natureza já é um desfile de cores, formas e texturas distintas e a graça está em descobrir suas nuances, peculiaridades e facilidades em integrar outras belezas, como as alinhavadas pela coleção “Entre o tempo do vento e as formas das pedras”.
Foto e vídeo: reproduções