Mais uma vez, as comemorações do Dia dos Pais foram discretas! Ainda não chegou o momento de frequentarmos restaurantes em datas festivas e nem aglomerarmos esperando por uma mesa, pois as variantes do coronavírus continuam circulando, fazendo vítimas pelo Brasil e por esse motivo os cuidados estão mantidos aqui em casa.
Meus avós já tomaram as duas doses da vacina, assim como meus pais, mas eu ainda não estou completamente imunizada e ainda falta a segunda picadinha, programada para acontecer somente no início de outubro. Afê!
Este ano assim como ano passado, nós optamos por substituirmos o churrasco dominical por outra delícia. A feijoada fez a nossa alegria em 2020, mas o prato escolhido para o Dia dos Pais de 2021 foi arroz pegadinho ou socarrat. Para a ocasião, uma versão feita com vieiras, camarões e anéis de lula foi a escolhida.
Não sei se vocês conhecem a delícia, mas ela passa longe da paella espanhola, do risoto italiano ou do arroz melado português porque sua diferença principal é que ela é seca e possui uma crosta caramelizada obtida pelo contato com o fundo da wok ou frigideira. A linha é tênue entre o arroz queimado e o caramelizado, mas a dica é que após a formação da crosta você comece a retirar o arroz com uma espátula, enrolando-o como um wrap ou quebrando-o manualmente, além de servi-lo acompanhado de legumes tostados nas chamas do próprio fogão. Maravilhoso!
A refeição ficou completa depois que foi finalizada com crema catalana, sobremesa espanhola oriunda da região de Catalunha e feita com gemas de ovos, açúcar, canela e crosta de açúcar queimado por cima. Sua aparência lembra de longe o creme brulée, mas o creme francês é feito com creme de leite fresco, ovos, açúcar e essência de baunilha.
O domingo dos pais transcorreu no entorno da mesa, com uma comida reconfortante, conversas despretensiosas e o prazer de compartilhar experiências gastronômicas e de vida.
Eu não preciso nem dizer que irei repetir o encontro, pois é dessa maneira que nós construímos nossas memórias gustativas, estreitamos os vínculos afetivos e reforçamos o desejo de estar em contato direto com o fogo, pois é através dessa atitude que acionamos algumas lembranças do homem caçador/coletor e reforçamos a mensagem da necessidade de armazenamento e maior contato com os alimentos.
Até a próxima aventura,

Maria Oxigenada
Foto: reprodução