A receita é daquelas milenares e que faz sucesso sempre, pois a série “A cozinheira de Castamar” é ambientada em 1720, além de seu enredo contar sobre a dinâmica da alta sociedade espanhola, externar sobre as intrigas reais, bem como possuir uma pitada de romance e um tiquinho de perversão.
A obra é uma adaptação do livro homônimo escrito por Fernando J. Muñez e tem como sua protagonista Clara Belmonte (Michelle Jenner). Ela é filha de um médico madrilenho acusado de assassinar um nobre e trair a coroa. Diante do fato, a menina rica passa a ser ignorada pela sociedade local e precisa encontrar um emprego para se sustentar.
Um padre amigo da família a indica para trabalhar como cozinheira no Palácio de Castamar, residência oficial do duque Diego de Castamar (Roberto Enriquez). Além do nobre, o local é habitado por dona Mercedes (Fiorella Faltoyano), mãe de Diego, e por seu irmão adotivo D. Gabriel (Jean Cruz), mas é frequentada por amigos próximos, especialmente após o falecimento de Alba, esposa de D. Diego, vítima de um acidente com seu cavalo.
Para atendê-los, um batalhão de empregados está à disposição da família e eles recebem ordens diretas do mordomo El Melquiadez Elquiza (Óscar Rabadán) e da governanta d. Úrsula (Monica Lopez).
O ardido da narrativa é subtraído de D. Enrique de Arcona (Hugo Silva), pois todo o tempo o personagem trama contra D. Diego, manipula quem está no seu entorno; tudo para levar vantagens comerciais e ostentar outras regalias.
O bonito chega ao ponto de escolher em parceria com Sol Montijos (Marina Gatell) quem será a noiva de D. Diego e futura duquesa de Castamar e a escolhida para desempenhar o papel é Amélia Castro (Maria Hervás). O problema é que a donzela é cheia de segredos e artimanhas, mas faz a linha sonsa bem-educada. Vocês sabem bem como é, né!?
Os pratos e as delícias feitas por Clara vão aproximando-a de D. Diego, outra receita clássica seguida pela roteirista Tatiana Rodríguez, e que trabalha com a sedução através da comida, fórmula vista em filmes como: “Como água para chocolate”, “Estômago”, “Chocolate”, “A festa de Babette”, entre outros.
No entanto, eles precisam reprimir os sentimentos que um sente pelo outro porque são de classes sociais distintas e porque há outros interesses em jogo, inclusive o ducado de D. Diego e o cargo desempenhado por ele junto ao rei Felipe V, pois é um de seus conselheiros reais.
Ao todo, “A cozinheira de Castamar” conta com 12 episódios distintos e o que posso adiantar para vocês é que eles passam longe da mesmice imaginada para uma trama épica porque também possuem outras paralelas que agitam a história e imprimem um ritmo mais dinâmico à série com cenas de adultério, de disque me disque, além de passagens homofóbicas, racistas e de pura vilania.
Agora, de bacana a obra faz uma boa caracterização de época através de seu figurino e cenografia, além de ser fiel aos fatos históricos ocorridos no período, especialmente no que tange a doença do rei, pois Felipe V (Joan Carreras) sofria com distúrbios mentais e isso era um prato cheio para a rainha Isabel (Silvia Abascal) tomar decisões em seu lugar.
E apesar de bem recebida pelo público, a produção provavelmente não terá continuidade e uma segunda temporada, então para quem deseja saborear uma série que foca na realeza espanhola ou quem está carente pelo recesso da série britânica “Bridgerton”, então a dica é cair de boca em “A cozinheira de Castamar” e deliciar-se com sua história passada entre a cozinha, os corredores e quartos do Palácio de Castamar.
A verdade é que a obra tem todos os ingredientes que aprecio, por isso a degustei por completo no último final e a indico!

Maria Oxigenada
Foto e vídeo: reproduções