Para suspirar e doer os dentes tamanha a doçura da obra! O filme “A última carta de amor” é assim e indicado para quem não é tem sensibilidade bucal ou deseja mergulhar na calda espessa resultante de duas histórias de amor distintas que acontecem simultaneamente na telinha.
A primeira é ambientada em Londres, em 1965, e envolve Jennifer Stirling (Shailene Woodley) e Anthony O´Hare (Callum Turner). Ela é a esposa infeliz de um industrial chamado Laurence (Joe Alwyn), enquanto ele é um jornalista com a missão de entrevistar o magnata para a criação de um perfil jornalístico.
A segunda história acontece nos dias de hoje e o casal que a protagoniza é formado por Ellie Haworth (Felicity Jones) e Rory McCallan (Nabhaan Rizwan). Ambos trabalham no mesmo jornal, ela como repórter e ele como arquivista local, e de comum os dois possuem desilusões amorosas e cicatrizes emocionais.
As duas narrativas se cruzam depois que Ellie descobre uma carta de amor antiga entre as páginas do material em que estava pesquisando para sua reportagem semanal e resolve colocar seu instinto de “cão farejador” em ação, descobrindo a existência de outras correspondências escritas por Jennifer Stirling no arquivo do jornal e fazendo tentativas para montar esse quebra-cabeça amoroso.
E as peças que fazem parte dele revelam um casal separado pelo destino e por acontecimentos inesperados, tais como: um acidente de carro, episódios de perda de memória, além de mentiras, a chegada de filhos não programados e o envio do correspondente para outras localidades na intenção de cobrir guerras ou realizar reportagens de acontecimentos históricos e eventos importantes
No entanto, houve um reencontro entre o casal de outrora e este aconteceu em 1969, mas nada mudou entre eles. Já os reencontros entre Ellie e Rory favoreceram a escrita de um novo capítulo na história pessoal da dupla, pois eles decidem caminhar juntos.
A receita de “A última carta de amor” já foi replicada inúmeras vezes por Hollywood e pelas plataformas de streaming e a verdade é que ela agrada uma fatia específica de consumidores ávidos pelo resgate de memórias, de imagens e de costumes do passado.
Tanto que a produção da obra procurou fazer uma reconstituição de época coerente, assim como se valeu de peças e acessórios usados na década de 60 para a construção de um figurino compatível com o período retratado.
Quanto ao seu roteiro, “A última carta de amor” é um filme previsível, que não apresenta grandes viradas em sua narrativa e no destino dos personagens. Apesar disso, ele procura ser fiel ao livro escrito por Jojo Moyes, apresentando poucas diferenças entre a versão escrita e cinematográfica, por isso o destaque da obra recai sobre a sua montagem eficaz que mescla cenas do presente e do passado para a manutenção de um bom ritmo.
Quanto às atuações, as atrizes Felicity Jones e Shailene Woodley chamam a atenção, especialmente a interpretação da segunda, mas aquela química e cumplicidade esperada entre os amantes acontece no casal formado entre Felicity Jones e Nabhaan Rizwan e não entre Shailene Woodley e Callum Turner.
“A última carta de amor” foi dirigido por Augustine Frizzell, a mesma diretora da série “Euphoria”, e é indicado para aqueles dias chuvosos, frios ou casmurros em que o desejo maior é aquecer a alma com uma história de amor com final feliz.
Vale a pipoca.

Maria Oxigenada
Foto e vídeo: reproduções