Confesso que eu estava ansiosa para assistir ao filme “Viúva Negra”, especialmente porque saí inconformada com o desfecho trágico da personagem visto em “Vingadores: Ultimato” e porque a película teve seu lançamento adiado por alguns meses devido a pandemia.
Uma despedida à altura para Natasha Romanoff (Scarlett Johansson) era importante de ser feita, mas como? Através da exposição de fragmentos de sua infância nos Estados Unidos, da ciência do treinamento em que a personagem se sujeitou na Rússia e dos vínculos desfeitos com o General Dreykov (Ray Winstone).
A narrativa começa em 1995, mostrando Natasha, interpretada no período pela atriz Ever Anderson, e sua irmã Yelena (Violet McGraw) andando de bicicleta e brincando com vagalumes no entardecer de Ohio. Na sequência, o espectador é apresentado para outras duas personagens: a matriarca da família Melina (Rachel Weisz) e o patriarca Alexei (David Harbour).
No entanto, no minuto seguinte o quarteto precisa encarar uma fuga espetacular contra policiais e autoridades americanas com destino à Cuba. Lá, o espectador percebe que a família é fictícia, que seus integrantes são espiões russos e que as meninas seriam encaminhadas para a Sala Vermelha para integrar o programa governamental que as transformariam em assassinas profissionais.
Corta! E um pulo cronológico é feito na narrativa com a intenção de mostrar o cotidiano de Natasha enquanto era considerada fugitiva internacional, depois de ter violado o acordo de Sokoira e de se afastar dos Vingadores.
E como todas nós sabemos que ela não possui superpoderes como os demais heróis, então Natasha precisa recorrer a ajuda do contrabandista Rick Mason (O. T. Fagbenle) para conseguir armas, munições e até aviões para montar sua própria proteção e planejar possíveis fugas. E apesar de não ser garoto de recado, ele deixa com ela uma caixa com suas correspondências de Budapeste.
A segunda virada na narrativa acontece depois que a protagonista toma ciência do conteúdo da caixa, pois é atacada por um soldado russo e retorna para a capital húngara no intuito de descobrir quem enviou o presente de grego, assim como atar as pontas soltas desse mistério.
Em Budapeste, Natasha reencontra Yelena (Florence Pugh) e após as emoções iniciais, as duas decidem libertar centenas de jovens vítimas do controle do General Dreykoo, mas para isso elas precisam reunir a “família” novamente.
Alexei está preso em uma penitenciária de segurança máxima russa e seu resgate é uma das melhores cenas vista em “Viúva Negra”, pois associa ação, humor e uma fotografia de tirar o fôlego. Agora, a graça da obra recai sobre a dinâmica familiar, sobre a reunião do quarteto no entorno da mesa para discutir traumas e carências do passado.
Há outros momentos de escapismo na película, especialmente os envolvendo Alexei e sua recusa em abandonar o uniforme do Guardião Vermelho, herói russo criado para representar o país, assim como o Capitão América.
E como toda irmã caçula, Yelena não deixa passar nada, tirando onda da postura adotada por Natasha depois que entrou para os Vingadores, especialmente sua mania de bater os cabelos e cair como aranha antes de dar o bote final nos adversários.
“Viúva Negra” reserva outras surpresas aos espectadores e a própria protagonista, inclusive a revelação de quem está por trás da máscara e do uniforme preto usados pelo Treinador.
Quanto às interpretações vistas, Scarlett Johansson está mais do que à vontade na fantasia da Viúva e não decepciona em nenhum momento, especialmente naqueles em que divide a cena com a atriz Florence Pugh. Aliás, a escalação da atriz britânica foi certeira para dar continuidade ao legado da Viúva Negra. Aplausos para o ator David Harbour que mostrou facetas dramáticas distintas, aceitando o arco narrativo de seu personagem e assumindo ora o seu lado vilão, ora de bonachão. Já a atriz Rachel Weisz construiu os alicerces emocionais de Melina com personalidade e carisma.
Em suma, “Viúva Negra” é um filme de ação, realista, que ostenta uma heroína crível, além de fazer revelações sobre as origens da Viúva, bem como sinalizar quais serão os caminhos trilhados de agora para frente pelo Universo Cinematográfico da Marvel.
Eu adorei!

Maria Oxigenada
Foto e vídeo: reproduções