As chamas do primeiro dia de desfiles continuaram acesas durante a noite, pois o segundo dia em Paris começou quente e com a marca Chanel marcando sua participação com uma gama de tweeds, tailleurs, saias rodadas e com babados, peças em lã, casacos texturizados ou peludinhos, além de vestidos de cintura baixa.
E apesar da estilista Virginie Viard optar por trabalhar com tecidos encorpados e que aquecessem as produções invernais, ela não desprezou outros como as sedas, os tules, os crepes (voil, georgete, gaze). O que eu pouco vi foi o uso de rendas nesta coleção.
Cachecóis prateados e feitos de retalhos lembraram aos presentes de que os invernos europeus estão cada vez mais doídos e congelantes, por isso looks construídos em parceria com ternos brancos numa ode à animação Frozen.
Desta vez, a noiva da grife desfilou com um modelo tradicional rosa, de mangas longas, decote careca, saia godê e casquete na cabeça, simbolizando a pureza da personagem, assim como a importância deste tipo de evento nas esferas sociais e políticas de outrora. A mise-en-scène terminou com ela jogando o buquê de flores para a plateia, celebrando a retomada da circulação mundial e caminhando em direção à porta frontal do Palais Galliera, numa alusão aos finais felizes dos contos de fadas.
Agora, os desfiles que vieram após o primeiro show levaram ao pé da letra o ditado popular: se não for para causar, então nem vou! E como causaram! Especialmente a marca Alexis Mabille com suas flores exuberantes pintadas nos tecidos ou feitas a partir deles, além das capas volumosas de tules, laços enormes e macacões de paetês.
Outra label que atiçou a vontade de sair e ser vista foi Alexandre Vauthier através da extravagância de franjas compridas, de ternos risca de giz oversized, dos paetês e metalizados, mas especialmente de peças bordadas de couro. Destaque para a saia do material com estética bicuda e usada em parceria com botas caubói.
A maneira como Ronald Van der Kemp chamou a atenção dos espectadores foi através da presença de calças com detalhes transparentes que pareciam barbatanas, calças boca de sino, do reaproveitamento do jeans, de estampas holográficas e metalizados, de rendas recortadas, mas especialmente através dos olhos marcados fortemente das modelos e dos cabelos em patamares superiores.
E a ousadia da marca Stephane Rolland, hein!? Tô de queixo caído até agora! Vestidos com silhuetas grandiosas, mangas bufantes, capas com capuzes enormes e de fazer inveja a Chapeuzinho Vermelho, além de maxi acessórios. No entanto, foram os bordados feitos com ladrilhos de mármore, quartzo citrino e malaquitas e desenvolvidos em parceria com a artista Béatrice Serre que transformaram as produções em arte fashion digna de ocupar espaços em museus e galerias.
A marca Giorgio Armani Privé não deixou barato, não! E também explorou este universo, partindo logo para as dobraduras e para a criação de pétalas de flores, laços, ondas do mar, pregas e asas de borboletas a partir de tecidos, mas a grife trabalhou com uma cartela de cores adocicada, com tecidos com brilho natural (cetim e seda) e, principalmente, com bordados delicados feitos de pequenos cristais e fios com glitter. Destaque para as calças estilo Alladin que fizeram várias entradas durante o show fashion e pareciam metais derretidos, para os vestidos de festa, para os sapatos revestidos de purpurinas (adoro!), para os broches de libélulas e para as bolsas durinhas e chutches.
Sinceramente, eu não sei apontar qual dos looks vistos na ocasião é o meu preferido! Giorgio Armani desenvolveu uma coleção feminina, delicada e que atiçou a nossa vontade de abandonarmos nossos casulos e experimentarmos uma nova realidade. Lacrou!

Maria Oxigenada
Foto e vídeos: reproduções