Para falar a verdade, não deu tempo nem de respirar! Ainda sentindo os efeitos dos desfiles da São Paulo Fashion Week reverberando em minha mente e meu corpo, eu fui obrigada a zerar a quilometragem fashion e iniciar uma nova aventura pela Europa e através de marcas internacionais.
O inverno 2022 já é o mote das coleções vistas em Paris e a estação está sendo imaginada e construída com a presença de tweeds, rendas guipure, cashmeres, lãs, organzas, gorgorões, bordados, mas também por transparências e pela delicadeza das sedas.
No desfile da Dior foi possível observar o peso dos dias frios com a mistura de tweeds com acabamentos em couro, com a presença de saias volumosas e de cintura nas alturas, sobretudos ostentando pregas machos nas costas, casacos transpassados frontalmente, ternos texturizados, blazers com dimensões diferentes e gráficas, peças com referências orientais e usadas em parceria com sapatos Oxford.
No entanto, com o decorrer dos minutos a marca foi suavizando os looks e apresentando ao público presente uma leva de vestidos esvoaçantes com tramas delicadas nas costas e ombros, além de plissados formando figuras geométricas na parte superior do corpo, produções com plumas e um vestido de noiva esverdeado etéreo com folhagens e flores impressas no tecido.
Já a grife Schiaparelli mostrou uma coleção inspirada na cultura espanhola com a presença de cores vivas e alegres, com bordados carregados e que remetiam as jaquetas dos toureiros, além de peças volumosas ou que destacavam os seios femininos, bijus enormes e tricôs feitos da junção entre a seda e sacos plásticos. Destaque para o colar pulmão usado para acrescentar um respiro na produção feita com um vestido preto reto.
A label Iris van Herpen vibrou menos que a marca Schiaparelli na ocasião, explorando os cinquenta tons de azul, assim como o branco para a criação de uma coleção que tinha como temática a superfície da Terra e imagens vistas do planeta de cima, por isso a presença de formas circulares, ombros arredondados e peças com acabamentos feitos com plumas e pétalas. Destaque para a abertura da apresentação com uma paraquedista a bordo de um vestido longo azul estampado, tirando onda da liberdade gozada e flutuando em direção a luz solar.
Enquanto isso, a Azzaro Culture voltou a subir o tom, foi para a pista de dança e apresentou uma coleção glamurosa, com muito brilho, fendas vertiginosas, looks assimétricos e pontiagudos. Seus modelos desfilaram com ternos, macacões, calças de cintura baixa, vestidos de crochê bordados com canutilhos ou maxi lantejoulas, mas também com produções que abriram espaço aos recortes laterais circulares ou que deslizavam pela tendência dos vestidos languidos.
Agora, o mergulho feito pela label Giambattista Valli foi entre tules, laços, fitas; tanto que as modelos ostentaram perucas com laços frontais feitos com os próprios cabelos e desfilaram looks grandiosos, com camadas, além de capas e caudas arrastando pelo chão. Destaque para a sequência de vestidos mullets destinados as festas, para os vestidos de cintura baixa, para os minis com caudas e os metalizados que até tentaram reluzir, mas foram sufocados pelas capas e pelos tules.
O show da Maison Rabih Kayrouz foi intimista, rodado no ateliê e com uma única modelo apresentando as novidades da grife, tais como: pantalonas e sobretudos bordados com pedras, cristais, pérolas ou canutilhos dourados. Outros casacos e sobretudos desfilaram com franjas nas barras e alguns ternos soltos ostentaram aberturas nas costas.
A silhueta larga também compôs vestidos transparentes com plumas nos decotes e vestidos casulos com gorros protetivos. Apesar disso, o look que chamou a atenção foi o vestido azul com gola careca, saia evasê e com sua superfície bordada com linhas coloridas e usado em parceria com uma calça reta de mesma estampa.
A verdade é que o primeiro dia de desfiles aqueceu as expectativas das fashionistas e da imprensa especializada, terminando com alguns quilómetros fashion rodados entre DNA´s de marcas renomadas.

Maria Oxigenada
Foto e vídeos: reproduções