A nota que regeu os últimos desfiles da São Paulo Fashion Week foi RÉ, ou seja, a reutilização de tecidos, de retalhos e resíduos e a reciclagem do que já foi visto e apresentado em outros concertos fashion.
O Ré de regeneração do mercado pós-pandemia também favoreceu a composição de uma trilha de moda contendo peças de patchwork, acabamentos feitos de retalhos e franjas, de tecidos tingidos naturalmente e de crochês como vistos nos desfiles das marcas Flávia Aranha e Ponto Firme.
Outra grife que utilizou restos de tecidos para fazer os acabamentos de suas peças, especialmente punhos e barras, foi Renata Buzzo. A label vegana tramou durante todo o tempo a favor da sustentabilidade e do consumo consciente, bem como entrelaçou fios para a criação de desenhos geométricos como losangos.
No entanto, a marca Victor da Justa cruzou sua coleção com a proposta de outras labels, trabalhando com a estética de QR-Codes e com estampas que conectavam os desejos de consumo atuais com novas atitudes pessoais.
Já Walério Araújo amarrou sua participação no evento com peças que lembravam passagens de sua vida privada, remetiam às celebridades e artistas que o inspiraram como a modelo Elke Maravilha, além de reafirmar a importância da cidade de São Paulo e o estilo de vida urbano na sua trajetória como estilista.
Outros blocos além dos de concreto encontrados nessa selva fashion foram os trabalhados pela marca Weider Silveiro. Trata-se do color block e da criação de looks monocromáticos, associando túnicas e calças de mesma cor ou os casacos e sobretudos de tonalidades primárias.
As mesclas de cores foram ressaltadas através dos conjuntos de tie-dye vistos no filme da LED ou no casamento de cores vibrantes como dourado e pink apresentado pela marca Freiheit.
Enquanto isso, o despojamento marcou o show da Misci com a união de bermudas compridas com camisas sem mangas, de cropped com pantacourt, de vestidos com decotes nas costas, o uso de bolsas grandes e sandálias de caminhoneiro.
Outra grife que demonstrou despretensão durante sua apresentação foi Carol Bassi; tudo porque trouxe a modelo e cantora Bárbara Fialho cantando uma bossa e curtindo as areias cariocas diante das câmeras, ora ostentando produções ombro-a-ombro, ora desfilando com babados, mangas fofas e laços.
Agora, aquele axé brazuca que tanto gostamos foi sentido durante o desfile de Isaac Silva. Desta vez, o estilista abandonou as ladeiras do Pelourinho, as tonalidades alegres da Bahia e partiu para uma viagem para dentro das matas verdes e junto aos povos que as habitam, por isso usou estampas imitando desenhos e pinturas indígenas, folhagens, além de tecidos naturais, a presença de listras e peças confortáveis com fios arrematando-as.
Os últimos atos do concerto fashion, ou melhor, desta edição da SPFW não deixaram dúvidas sobre como serão as próximas árias criadas e as intenções exploradas pelos estilistas de agora para frente.
Até a próxima aventura,

Maria Oxigenada
Foto: reprodução